segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Acidente Vascular Cerebral Hermorrágico - Caruaru/PE.



No dia 27/11/2009 às 15:20h, quando em plantão aeromédico no Hangar da Polícia Rodoviária Federal, a tripulação da aeronave BELL-407, após coordenação com a regulação do SAMU, foi deslocada ao município de Caruaru (PE), para efetuar a remoção do Sr. J.S.R., 79 anos, o qual foi vítima de AVCH (Acidente Vascular Cerebral Hermorrágico), após estabilizado, foi conduzido até o quartel do Derby em Recife-PE, para posterior deslocamento, via terrestre, até o Hospital da Restauração.

Tempo de deslocamento até Caruaru: 35 min.

Tempo de deslocamento até o quartel do Derby: 35 min

Créditos: Equipe de Médico e Enfermeiro, Operador de Equipamentos Especiais e Piloto da Base DOA/SAMU-NE.



sábado, 28 de novembro de 2009

Ferimento por Arma de Fogo - Distrito Federal



Paciente internado na sala de emergência do Hospital Regional do Gama (HRG), 43anos, vítima por arma de fogo “ tiro na cabeça ” em estado gravíssimo, com deterioração do quadro neurológico (ECG=5) associada a Hipertensão Intracraniana importante. Seguia em ventilação mecânica com parâmetros fisiológicos, hemodinamicamente estável e com Hipertensão Arterial moderada compensatória a lesão cerebral.

Inicialmente foi realizado avaliação no local e preparo do paciente, para o transporte aéreo com destino ao Centro de Referência de Trauma do Distrito Federal (HBDF) e conduta Neurocirúrgica.

A. Avaliação da via aérea com proteção da coluna cervical:

- Tubo orotraqueal(TOT), N°. 8;

- Colar cervical;

- Imobilização na prancha com o “ cinto aranha ” .

B. Respiração e Ventilação:

- Ventilador mecânico de transporte;

- Ajuste dos parâmetros ventilatórios.

C. Circulação com controle da hemorragia:

- Avaliação dos acessos periféricos;

- Soroterapia em bombas de infusão;

- Hemodinamicamente compensado e Hipertensão Arterial compensatória;

D. Estado Neurológico:

- AVDN ( não-responsivo)

- ECG ( AO=1, RM=3, RV=1)

E. Exposição/Controle do ambiente:

- Verificação de outras lesões.

Transporte Aeromédico realizado com sucesso, rapidez e sem intercorrências para o serviço de Neurocirurgia do Hospital de Base do Distrito Federal.

Acionamento: 16:55h

Início: 17h

Hospital Regional do Gama:

- Chegada: 17:14h

- Saída: 18:07h

Hospital de Base do DF: 18:20h


Créditos: Dr. Carlos Ernesto / Enfermeiro  Marcos

Equipe DOA/DPRF: Operador de Equipamentos Especiais e Piloto.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ferimento importante por arma branca em região cervical direita - Brazlândia/DF



DOA/PRF e SAMU/DF realizaram remoção de Paciente do Hospital Regional de Brazlândia (HRBz) para o Hospital de Base do DF- referência para o caso.


No dia 22/11/2009 às 9h, quando em plantão aeromédico no hangar da Polícia Rodoviária Federal em Brasília/DF, a tripulação da aeronave BELL-407 composta por Piloto, Operador de Equipamentos Especiais - OEE e equipe aeromédica, após coordenação com a Central de Regulação do SAMU/DF, foi deslocada à cidade satélite de Brazlândia para efetuar a remoção de paciente com 26 anos de idade, do sexo masculino, apresentando ferimento importante por arma branca em região cervical direita.

Na ocasião paciente com sangramento cervical contido precariamente por pinças hemostáticas necessitando de intervenção cirúrgica imediata. Colocado em ventilação mecânica, feito noradrenalina em bomba de infusão, expansão com Ringer lactato e concentrado de hemácias. Sendo então aerotransportado para o Hospital de Base do DF (HBDF) seguindo o protocolo do ATLS para choque hipovolêmico e com a preocupação de que o paciente recebesse o tratamento definitivo de sua lesão dentro da “hora de ouro” do trauma com transporte rápido, ou seja, não se deve perder tempo com intervenções que não sejam fundamentais, mas não se deve deixar de fazer as intervenções que sejam necessárias para estabilizar o paciente e fazer com que o transporte possa ser feito de maneira segura.

No HBDF fomos recebidos pela equipe de trauma que imediatamente solicitou sala cirúrgica para intervenção da lesão com o objetivo de conter a hemorragia e reverter o choque hipovolêmico já instalado. Porém paciente gravíssimo, com descompensação hemodinâmica importante evoluindo para PCR (parada cardiorespiratória), reanimado exaustivamente sem sucesso.

A tripulação da aeronave BELL 407 agradece a todos os profissionais que lutaram e lutam todos os dias para salvar vidas, em especial aos médicos do HBDF: Drº Aluízio, Drº Bruno, Drº Csai Aliceamca, Drª Márcia, Drª Merenciana, Drº Renato, Drº Cícero, Drº Kalielton.

Créditos: Médica:  Mirian Minotto / Enfermeiro: Wellington Silva.

Equipe DOA/DPRF: Operador de Equipamentos Especiais e Piloto.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Acidente PE-09 - Porto de Galinhas/PE



DOA/NE e SAMU realizam resgate de vítima de acidente na PE-09, próximo a praia de Porto de Galinhas.


No dia 22/11/2009 às 10:56h, quando em plantão aeromédico no Hangar da Polícia Rodoviária Federal, a tripulação da aeronave BELL-407 composta do Comandante, Operador de Equipamentos Especiais e equipe do SAMU, foi acionada pela regulação do SAMU para realizar o resgate do Senhor R.J.S., natural de Maceió-AL. A equipe deslocou até o local do acidente, levando apenas 12 minutos para chegar na ocorrência. A vítima encontrava-se presa às ferragens e foram necessários 75 minutos para conseguir tirar a mesma do interior do veículo, sendo logo em seguida, conduzida por esta equipe da DOA, para o campo do Quartel do Derby em Recife, onde foi levada para o hospital por uma ambulância do SAMU.


Tempo de deslocamento até o local: 12 min.

Tempo de Espera no Local: 1:15 min.

Tempo de deslocamento até o Recife: 15 min.


Creditos: Equipe Médica e de Enfermagem, Operador de Equipamentos Especiais e Piloto da Base DOA/NE.

Vitima de Queda em Exercício de para-quedismo.



DOA/NE e SAMU realizam remoção de vítima de queda em exercício de pára-quedismo.

No dia 23/11/2009 às 11:00h, quando em plantão aeromédico no Hangar da Polícia Rodoviária Federal, a tripulação da aeronave BELL-407 composta Piloto, Operador de Equipamentos Especiais e Equipe do SAMU, foi acionada pela regulação do SAMU para realizar a remoção de G.B. F, 36 anos, vítima de queda durante exercício de pára-quedismo, este se encontrava no Hospital Casa de Saúde Santa Efigênia em Caruaru/PE para o Hospital Memorial São José em Recife/PE.

Tempo de deslocamento até Caruaru (PE): 34 min.

Creditos: Equipe Médica e de Enfermagem, Operador de Equipamentos Especiais e Piloto da Base DOA/NE.




sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aconteceu em Arco Verde/PE




DOA/NE e SAMU realizaram remoção de Paciente do Hospital Memorial Arco Verde/PE para o Hospital Santa Joana em Recife/PE.

No dia 16/11/2009 às 11:30h, quando em plantão aeromédico no Hangar da Polícia Rodoviária Federal em Recife/PE, a tripulação da aeronave BELL-407 composta por Piloto, Operador de Equipamentos Especiais-OEE e equipe aeromédica, após coordenação com a  Central de Regulação do SAMU/PE, foi deslocada ao município de Arco Verde (PE), para efetuar a remoção de Paciente da cidade de Salgueiro (PE), com 30 anos, apresentando traumatismo craniano moderado. O Paciente foi aerotransportado para o Hospital Santa Joana em Recife (PE).

Tempo de deslocamento até Arco Verde (PE): 60 min.

Tempo de deslocamento até Recife: 60 min.

Créditos: Dr. Alipio / Enfermeira Elysângela

Equipe DOA/DPRF: Piloto e Operador de Equipamentos Especiais.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aconteceu em Curitiba/PR - Aeromédico.

Salvando vidas no céu de Curitiba

Um dia de trabalho da equipe de resgate aéreo da PRF-Curitiba,uma das maiores do país em volume de salvamentos.



Anoitecia quando os quatro tripulantes do Patrulheiro-3 foram acionados para a última ocorrência do dia. Sob os primeiros pingos da chuva iminente, o comandante avisa que restam poucos minutos de voo em condições seguras. Para voar com segurança o H03 deve operar durante o dia. “Está chovendo e ficando escuro, o local de pouso não é adequado, estamos em condições ruins para o vôo”, avisa o piloto. A aeronave decola do hangar 25 do aeroporto do Bacacheri rumo a São José dos Pinhais, a vítima em estado grave aguarda na porta do hospital.

A equipe de resgate devia transportar o paciente até o heliporto do Barigui e de lá ela seria levada para uma UTI, em Curitiba. Pouco antes de embarcar a vítima sofre uma parada cardíaca. No heliponto do hospital , o piloto aguarda a reanimação. Já não é mais possível esperar. O médico não pode embarcar na aeronave uma vítima com o coração parado. O piloto decola e a tripulação retorna para a base com a segurança de quem fez tudo que pode e estava ao seu alcance para salvar uma vida. Chegando à base o medico avisa que o pessoal do hospital conseguiu reanimar o homem.



A Divisão de Operações Aéreas (DOA) da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Curitiba, conta com um helicóptero Bell 407 equipado com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A tripulação é composta pelo piloto, um operador, um socorrista da PRF e um médico do Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma (SIATE). O trabalho da equipe começa todos os dias às 8h da manhã e segue até os últimos raios de sol. Desde janeiro de 2007, quando a divisão fez seus primeiros voos no Paraná, até esta terça-feira (10), foram atendidas 808 vítimas, em diversas situações e locais, muitos de difícil acesso.



Com uma média de quase dois atendimentos por dia de trabalho, a DOA de Curitiba é o grupo de resgate aéreo que mais atende vítimas no país. A decisão de acionar a aeronave parte dos médicos que fazem a triagem das ocorrências em terra. O atendimento vai além das rodovias federais, e no caso de Curitiba , supre também a demanda por resgate aéreo nos atendimentos do Corpo de Bombeiros. Acidentes de trânsito, feridos por arma de fogo e afogamentos, num raio médio de 100 km da base de operações, geram a maioria dos acionamentos.

O londrinense Gleicon da Rosa, que mora há seis anos em Curitiba, corre pelo hangar em direção à aeronave. Já dentro do macacão de vôo, o médico recebe a informação pelo rádio. A vítima foi atropelada no bairro Tatuquara e é uma moça de 17 anos. Antes de sair do local ela precisa ser atendida por um médico e depois deve ser transportada até o hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul. “A grande maioria das vítimas são levadas para lá ou para o Hospital São José, em São Jose dos Pinhias, são os únicos com heliporto na região metropolitana da capital. Os maiores hospitais da cidade ainda estão planejando a construção de helipontos, e enquanto isso ou levamos para os dois com heliporto ou optamos por pousar em áreas improvisadas próximo aos hospitais, tudo de acordo com a situação”, conta o dr. Gleicon.


Dr. Gleicon acompanha vítima dentro da ambulância após pouso da aeronave

A decolagem aconteceu as 17h00. O piloto Zafenate Paneia de Lima, 35 anos e 16 de PRF, conta com seus olhos e os do seu operador para manobrar a aeronave. Segundo o comandante o mais fácil é voar. “As comunicações, a segurança da equipe e a localização do melhor ponto de pouso, em meio à pressão da emergência, criam dificuldades, mas ao mesmo tempo motivam todos”, afirma o comandante que veio da Bahia e fez parte da primeira turma de pilotos de helicóptero da PRF criada em 1998, em Brasília.

Às 17h06 o gaúcho de Santa Maria, Tiago Marchesan, operador da equipe, avista a ambulância do SIATE próxima a um campo. Dois minutos depois, já no solo, ele tenta controlar uma multidão de crianças curiosas que se aproximam do perigoso rotor de cauda do helicóptero. “O trabalho do piloto é conduzir a aeronave, o operador é seu braço direito, responsável por toda a segurança nos pousos e decolagens. Levantar as coordenadas do local da ocorrência, até a desobstrução da área de pouso fazem parte do meu trabalho”, revela Marchesan.


O 'fiel' Marchesan de olho no rotor de cauda, crianças se aproximam do perigo


A vítima fica pronta para o transporte às 17h16. A maca corta a multidão com dificuldade e chega até o helicóptero. “A população as vezes atrapalha. Não deixam a equipe trabalhar no local e passam informações distorcidas sobre a vítima para a central reguladora. Relatar a informação correta e manter-los afastados são atitudes que facilitariam nosso atendimento e ajudariam a quem precisa realmente”, disse o dr. Gleicon. As 17h23, a aeronave decola.

A socorrista da PRF Denise Ayako Tsunemi segura o respirador para a vítima imobilizada. Durante o translado ela monitora os sinais vitais da moça. Calma, Denise escutava Elton John sorridente antes da ocorrência, mas dentro da aeronave ela luta pela vida em suas mãos. “O tempo faz a gente se acostumar com a crueldade das situações. A vítima já está em choque, nós temos que ficar tranquilos para tomar os cuidados certos”.

Poucas horas antes Denise havia higienizado com álcool 70 o helicóptero, depois do transporte de um menino de três anos de Paranaguá para o Hospital das Clínicas em Curitiba. A criança estava infectada com meningite num grau bem avançado. Preocupada com a saúde da equipe, Denise deixou a aeronave pronta para um novo voo rapidamente.


Denise segura nas mãos a vida da moça


O entrosamento entre a equipe tem que ser constante. Os PRFs não tem um sistema hierárquico como a PM e a Policia Civil. Todos são policiais de igual graduação, mas com responsabilidades diferentes. “Poucas ocorrências não são atendidas por causa do mau tempo. A equipe opera sob tempo ruim com sucesso, isso porque se preocupam uns com os outros. Das seis aeronaves que fazem resgate aéreo no Brasil pela PRF, temos aqui uma das equipes que mais faz resgates e isso também se deve a boa relação entre os tripulantes”, disse o Comandante Jairo Schmidtt, que coordena a DOA Curitiba. Ele tem horas de vôo por várias localidades do país nos 10 anos de piloto, inclusive na enchente de dezembro de 2008 em Santa Catarina, seu estado natal.

O pouso no hospital Angelina Caron é feito às 17h36. Marchesan ajuda Denise e o dr. Gleicon a retirar a maca da aeronave. Eles têm pressa. Uma ambulância vai até o helicóptero e seis minutos depois a vítima esta dentro da UTI. O médico da aeronave repassa informações para a equipe médica que assume a vítima. A moça sofreu uma forte pancada na cabeça que formou um coagulo no cérebro.

As 12h desta quarta-feira (11) ela estava sendo submetida a uma cirurgia. Segundo informações do hospital, sem o resgate imediato, ela não teria sobrevivido aos ferimentos. Do momento da decolagem da base até a entrada da garota na UTI do hospital a equipe de resgate aéreo levou 42 minutos e meio.

Com um padrão de atendimento de primeiro mundo, o serviço que o DOA presta à população é um bom exemplo de como os impostos podem ser empregados em benefício direto do povo. Por um custo de menos de R$ 10 mil reais por hora de vôo, ao governo federal, centenas de pessoas foram salvas. Com esse recurso são pagos o combustível, manutenção, e o preparo da equipe de prontidão.

Os resultados são visíveis e falantes. Vidas que não seriam salvas caso o socorro demorasse, podem ter uma chance que embarca na pressa e na dedicação destes profissionais.

Reportagem Jadson André
Fotos Lineu Filho


Aeronave saindo do hangar, mais um dia de trabalho começando



Comandante Zafenate poucos minutos antes de uma decolagem




Primeiro paciente do dia. Menino de três anos, vindo de Paranaguá para o HC da capital com meningite



Ambulância do SIATE avistada. Vítima de atropelamento aguarda resgate




População do Tatuquara. Fotografia de dentro da ambulância




Denise cuida de garota atropelada no trajeto ao helicóptero



Pouso no Hospital Angelina Caron em Campina Grande do Sul



Transporte até a ambulância



Dentro da UTI. Médico da aeronave passa vítima para equipe hospitalar



Dr. Gleicon na saída para última ocorrência. Tempo fechado



Dr. Gleicon, socorrista Denise e operador Marchesan



Clima do último voo



Marchesan guardando a aeronave com o sol já posto

Créditos : Salvando vidas no céu de Curitiba - Publicado por Jadson André - 11-Nov-2009 14:54 - http://www.jornale.com.br/.

Colaboração: Cmte Jeferson Antonio Espindola - DAC 102197.









quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Viajar por via Aérea: Considerações para a saúde



Viajar por via aérea: considerações para a saúde:

O volume do tráfego aéreo intensificou-se rapidamente nos últimos anos. O número de voos de longo curso cresceu de forma considerável e a distância aérea percorrida sem interrupções, com o consequente aumento do número de horas na duração dos voos, continua a aumentar. A capacidade de transporte de passageiros em longas distâncias também aumentou, pelo que um número cada vez maior de pessoas pode viajar no mesmo voo. Os passageiros frequentes constituem uma proporção substancial dos viajantes actuais. Segundo a Organização Internacional da Aviação Civil, o número de passageiros excedeu os 1 562 milhões em 1999 e os 1 647 milhões no ano 2000.

 As viagens aéreas, em especial as de longa distância, expõem os passageiros a inúmeros factores que podem interferir com a sua saúde e bem estar. Viajantes com problemas de saúde preexistentes estão mais susceptíveis a estes factores. Os riscos para a saúde associados às viagens aéreas podem ser minimizados desde que o viajante faça um planeamento cuidadoso da viagem e tome algumas precauções relativamente simples antes, durante e após o vôo.  Outros factores que podem interferir com a saúde e o bem-estar dos passageiros são a seguir descritos.

Pressão do ar na cabina:

Embora as cabinas dos aviões sejam pressurizadas, a pressão do ar diminui com a altitude, tornando-se mais baixa que a pressão ao nível das águas do mar. Numa altitude típica develocidade de cruzeiro, a 11 000 metros (37 000 pés), a pressão do ar na cabina é equivalente à de uma altitude de 1 500 – 2 500 metros (5 000 – 8 000 pés) acima do nível das águas do mar. Consequentemente, o oxigénio disponível diminui e os gases no organismo expandem-se. Os efeitos desta diminuição da pressão do ar na cabina são geralmente bem tolerados pelos indivíduos saudáveis.

Oxigénio e hipóxia:

Durante todas as diferentes fases do voo, o ar da cabina contém oxigénio suficiente para passageiros saudáveis. Contudo, porque a pressão do ar na mesma é relativamente baixa, a saturação em oxigénio do sangue está ligeiramente reduzida, conduzindo a uma hipóxia ligeira (i. e., menor distribuição de oxigénio nos tecidos). Os passageiros com doenças cardiovasculares ou respiratórias ou com determinadas alterações hematológicas, como a anemia, podem não tolerar convenientemente a hipóxia. O efeito do álcool no cérebro é agravado pela hipóxia.

Expansão do gás no organismo:

Como resultado da redução da pressão do ar na cabina, o ar expande-se em todas as cavidades do organismo onde está presente. A expansão do gás abdominal, por exemplo, pode originar um desconforto moderado, exacerbado pelo consumo de bebidas com gás ou pela ingestão de certos vegetais. À medida que o avião ganha altitude, o ar escapa-se do ouvido médio e dos seios perinasais, geralmente sem provocar problemas. Também o ar que se encontra no interior do ouvido médio sofre alterações e, à medida que o avião perde altitude, há reentrada de ar nestas cavidades de modo a igualar as pressões internas e externas. O desconforto inerente a este igualar de pressões pode ser aliviado com a deglutição, mastigação ou bocejar; se o problema persistir, a expiração forçada com o nariz e boca fechados pode produzir algum alívio. Nas crianças, a ingestão de alimentos ou a administração de um estimulante da deglutição pode reduzir estes sintomas.

Pelo que ficou descrito no parágrafo anterior, facilmente se compreende que as pessoas com infecções no ouvido, nas fossas nasais ou nos seios perinasais devem evitar as viagens aéreas, uma vez que, pela dor e pelo risco de agravamento da lesão, são incapazes de igualar as diferenças de pressão. Se a viagem não puder ser evitada, no caso de surgirem problemas durante o voo, umas gotas de um descongestionante nasal podem ser úteis.

Também os indivíduos que sofreram recentemente certos tipos de cirurgia não devem realizar deslocações aéreas durante um certo período de tempo, pelo risco de lesão resultante da expansão gasosa.

Humidade na cabina:

A humidade relativa dentro do avião é baixa, geralmente inferior a 20%. Embora exista um risco mínimo para a saúde, esta baixa humidade pode causar desconforto nas mucosas (olhos, boca, nariz), o qual pode ser minorado pela ingestão de muitos líquidos antes e durante o voo, mediante a aplicação de uma loção hidratante na pele, a utilização de um spray nasal hidrossalino para hidratar as mucosas nasais e a utilização de óculos em vez de lentes de contacto.

Desidratação:

A não ser que se mantenha uma adequada ingestão de líquidos, nas viagens longas de avião pode ocorrer alguma desidratação. Uma adequada ingestão de líquidos significa beber líquidos que não contenham álcool (água e sumos de fruta) antes e durante o voo. Como o álcool contribui para a desidratação, o seu consumo deve ser restrito ou evitado durante o mencionado período.

Ozono e radiação cósmica:

A concentração de ozono (oxigénio triatómico, O3) e a intensidade da radiação cósmica aumentam com a altitude. O ozono é facilmente convertido em oxigénio pela acção do calor e através de vários processos catalíticos. Nos modernos aviões a jacto, praticamente todo o ozono do ar ambiente é convertido em oxigénio nos compressores responsáveis pela pressurização do ar na cabina. A altitude normal de cruzeiro, a concentração de ozono na cabina é negligenciável. No entanto, durante a aterragem, quando a potência do motor é baixa, o aumento do ozono é prevenido por conversores catalíticos.

As radiações cósmicas resultam da soma das radiações solares com as galácticas. Ao nível das altitudes a que circulam os aviões, o campo de raios cósmicos consiste em radiação de baixa ionização e em neutrões. A atmosfera e o campo magnético da terra são escudos naturais contra este tipo de radiações. No entanto, os níveis de radiação cósmica são significativamente mais elevados nas latitudes polares, comparativamente às latitudes equatoriais, devido à orientação do campo magnético e ao “achatamento” da atmosfera terrestre sobre os pólos Norte e Sul. A intensidade da radiação cósmica aumenta com a altitude e estima-se que duplique a cada 1 500 metros (5 000 pés). Nas altitudes habituais de cruzeiro, acima dos 60ºN (Canadá, Escandinávia, etc.), a dose média esperada de radiação é de aproximadamente 0. 3 mSv por 100 horas. A título comparativo, a radiação natural proveniente do solo, da água e dos materiais de construção é de aproximadamente 2 mSv por ano, na maioria dos países. A Comissão Internacional de Protecção Radiológica definiu 1mSv como unidade básica de segurança para a protecção da saúde do público em geral, contra os perigos emergentes de radiação ionizante adicional.

Enjoo:

Excepto em caso de uma enorme turbulência, o enjoo é raro nos viajantes de avião. Os passageiros susceptíveis a esta situação devem solicitar lugares na zona da asa do avião e/ou à janela, e manter sempre acessível o saco de enjoo. Se necessário, pode-se optar pela toma profilática de um medicamento adequado.

Imobilidade e problemas circulatórios:

A imobilidade prolongada, em especial quando o indivíduo está sentado, favorece a acumulação de sangue nas pernas, o qual conduz ao inchaço (edema) duro e ao desconforto.

A estase circulatória é um factor que predispõe ao desenvolvimento da trombose venosa (formação de coágulos). No caso das viagens aéreas, é possível, embora não seja cientificamente provado, que existam outros factores ligados ao ambiente do voo que contribuem também para a trombose venosa.
A maioria dos trombos (coágulos) venosos são assintomáticos e reabsorvidos sem qualquer consequência. Ocasionalmente, se um trombo venoso emboliza na corrente sanguínea e sobe ao pulmão (ou seja, se o coágulo se desprende do endotélio da veia, entra na circulação sanguínea e chega ao pulmão) pode causar embolia pulmonar. Neste caso, a trombose venosa pode ter consequências graves, provocando dor torácica e dispneia (falta de ar). Quando o trombo se desloca para o cérebro (trombose cerebral), pode mesmo provocar morte súbita. Tudo isto tem possibilidades de ocorrer horas ou mesmo dias após a formação do
trombo.

O risco de desenvolver uma trombose venosa profunda é muito reduzido, a menos que existam factores de risco adicionais preexistentes para o trombo-embolismo. Estes compreendem:

— História anterior de trombose venosa.
— Idade superior a 40 anos (o risco aumenta com a idade).
— Uso de estrogénios (contraceptivos orais ou terapêutica hormonal de substituição).
— Gravidez.
— Traumatismo ou cirurgia recente, particularmente cirurgia abdominal ou dos membros inferiores.
— Cancro.
— Alterações genéticas da coagulação sanguínea.
— Insuficiência venosa crónica (varizes ou veias varicosas).
— Insuficiência cardíaca congestiva.
— Obesidade.

É recomendado às pessoas com um ou mais factores de risco assinalados que procurem aconselhamento médico antes de viajar.

Precauções:

Os efeitos negativos da imobilização prolongada podem ser reduzidos mediante execução de exercícios simples a intervalos frequentes durante o voo. Muitas companhias aéreas providenciam conselhos úteis sobre exercícios durante o voo que estimulam a circulação, reduzem o desconforto, a fadiga e a rigidez, diminuindo assim o risco de desenvolvimento de trombose venosa. Por vezes, o uso de meias elásticas especiais para viagens aéreas pode ser útil. Em qualquer dos casos, a bagagem de mão não deve ser colocada em zonas que impeçam os movimentos dos membros inferiores (pernas e pés). Também o vestuário deve ser largo e confortável. Com base na evidência de que a utilização da aspirina após a cirurgia previne a trombose venosa, esta é frequentemente recomendada aos passageiros de voos de longa duração. Contudo, ainda é necessário investigar se existe qualquer efeito protector durante as viagens aéreas. A aspirina não deve ser utilizada em viajantes com contra-indicações médicas, como por exemplo naqueles que têm discrasia hemorrágica (distúrbios da coagulação do sangue) ou úlcera péptica, dado o risco de reacções adversas. A injecção de heparina de baixo peso molecular pode ser prescrita a viajantes de elevado risco.

Após a chegada, o viajante pode reduzir os efeitos da jornada executando exercícios leves que estimulem a circulação sanguínea.

Jet lag:

O jet lag diz respeito à alteração dos padrões do sono e de outros biorritmos circadianos (relógio biológico interno do organismo) causada pela passagem por muitos fusos horários num curto período de tempo (por ex. nos voos este-oeste ou vice-versa). Os efeitos adversos do jet lag são geralmente a desidratação, a fadiga e o stress, podendo conduzir à indigestão, ao mal estar geral, à insónia e à redução no desempenho físico e intelectual.

Há algumas estratégias úteis para amenizar os efeitos do jet lag (ver abaixo). Os viajantes que tomam medicação em horário fixos (por ex. insulina, contraceptivos orais) devem procurar aconselhamento médico antes da viagem.

Medidas gerais para reduzir os efeitos do jet lag:

− Descansar bem antes da partida e o máximo possível durante o voo, incluindo o sestas curtas.
− Beber muita água e/ou sumos de fruta antes e durante o voo.
− Comer refeições ligeiras e limitar o consumo de álcool antes e durante o voo.
− Adaptar-se ao horário do destino o mais rapidamente possível (hora das refeições, sono), começando desde logo e, preferencialmente, durante o voo.
− Após a chegada, garantir a exposição à luz natural do sol.
− Os hipnóticos de curta duração podem facilitar a adaptação aos padrões de descanso após a chegada devendo ser utilizados de acordo com indicação médica1.

Aspectos psicológicos:

Embora cada vez mais vulgares, as viagens aéreas não são uma actividade natural para os seres humanos. Frequentemente, os viajantes de avião sentem dificuldades do foro psicológico. Os principais problemas encontrados são o stress e o medo de voar, que podem ocorrer em conjunto ou separadamente, antes e durante o período da viagem.

A fobia de voar (medo de viajar de avião):

Uma proporção considerável da população dos países industrializados experimenta algum medo de voar. Este aspecto pode ter efeitos adversos significativos na vida pessoal e profissional.

A fobia de voar está frequentemente associada a outras fobias, como a claustrofobia e a agorafobia. Adicionalmente, os níveis de ansiedade podem exacerbar-se pela presença de outros factores relacionados com o stress, perturbações da personalidade ou alterações do foro psiquiátrico. O tratamento baseia-se na identificação da causa, sendo a dessensibilização a intervenção mais frequentemente utilizada.

Os viajantes que têm medo de voar, mas necessitam de fazer uma viagem aérea, devem procurar aconselhamento médico antes da viagem. O recurso a tranquilizantes ou betabloqueantes pode ser útil em alguns casos. Os viajantes que tomam tranquilizantes não devem consumir álcool e a dose administrada não deve impedir o despertar do viajante em caso de emergência.

Para um tratamento de longa duração, é recomendável um apoio especializado para reduzir o impacto das dificuldades do foro psicológico associadas às viagens aéreas. Várias companhias aéreas oferecem cursos de dessensibilização para reduzir ou curar este receio.

Fúria durante o voo:

É relativamente recente o seu reconhecimento como forma de comportamento disruptivo ou desadaptado associado às viagens aéreas. Parece estar relacionado com níveis elevados de stress, mas não especificamente ao medo de voar. É frequentemente precedido pela ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.

Viajantes com necessidades especiais:

Cada companhia aérea tem a sua política relativamente ao transporte de passageiros com necessidades especiais. O que a seguir se descreve são exemplos de directivas comuns.

Recém-nascidos e crianças:

As viagens aéreas não são recomendadas a crianças com idade inferior a 7 dias de vida. No caso dos recém-nascidos prematuros, o aconselhamento médico deve ser individualizado. As alterações na pressão da cabina pode causar sofrimento, o qual pode ser amenizado pela ingestão de alimentos ou por estimulantes da deglutição.

Os recém-nascidos e as crianças mais jovens são mais susceptíveis à desidratação que as crianças mais velhas e os adultos. Deve-se garantir uma ingestão de líquidos adequada antes e durante o voo. Uma dose suplementar de fluidos (água ou sumo diluído) deve ser providenciada em voos de longo duração.

Mulheres grávidas:

Os voos comerciais são geralmente seguros para a mãe e para o feto. Contudo, não são recomendadas as viagens aéreas no último mês da gravidez ou até 7 dias após o parto. A maioria das companhias aéreas restringe o acesso das grávidas. As directivas comuns na gravidez não complicada são na gravidez:

− Única, viagens de longo curso até à 36ª semana.
__________________________

1 A melatonina actualmente disponível em poucos países (comercializada mas não aprovada pela Food and Drug Administration dos EUA) é utilizada por alguns viajantes para voltar a sincronizar o relógio biológico interno do organismo.

− Múltipla, viagens de longo curso até à 32ª semana.

A partir da 28ª semana, é aconselhável levar um atestado/declaração médica confirmando o bom estado de saúde, a gravidez normal e a data prevista do parto. Algumas companhias aéreas exigem um atestado médico se a data esperada do parto for 4 semanas antes da data da partida ou se estiver prevista qualquer complicação no parto.

Doença preexistente:

Pessoas portadoras de cancro, patologia cardiovascular, doença respiratória crónica, epilepsia, anemia severa ou diabetes mellitus instável; pessoas sob medicação imunossupressora, em hemodiálise; ou pessoas cuja forma física seja questionável, devem consultar o seu médico antes de decidirem realizar uma viagem aérea. Em caso de dúvida a companhia aérea pode requerer um atestado médico.

Toda a medicação para administração durante a viagem e no destino deve ser transportada na bagagem de mão e estar sempre acessível.

Voar é, geralmente, seguro para passageiros com pacemakers. Os sistemas unipolares são mais susceptíveis a interferência electrónica durante o voo e é importante a informação relativa ao efeito dos aparelhos de segurança dos aeroportos sobre os pacemakers. Os sistemas bipolares não são afectados. No entanto, os aparelhos de segurança manuais podem interferir com desfibrilhadores automáticos implantados, pelo que nestes casos, os viajantes deverão ter consigo uma declaração médica que especifique este risco.

Fumadores:

É interdito fumar nos aviões, excepto em algumas companhias aéreas. Os grandes fumadores podem sentir stress e desconforto, especialmente em voos de longo curso, pelo que podem beneficiar de aconselhamento médico antes de realizar um voo desse género. Os patches ou pastilhas de substituição da nicotina podem produzir algum alívio e pode-se considerar igualmente o recurso a um tranquilizante moderado.

Viajantes com deficiência:

Uma incapacidade física não constitui geralmente contra-indicação para a viagem. Os passageiros impossibilitados de zelar pelas suas necessidades (incluindo o uso do W.C. e transferências da cadeira de rodas para o assento e vice-versa) devem ter um acompanhante adequado. Os passageiros confinados a uma cadeira de rodas devem ser aconselhados a não se desidratarem deliberadamente antes do voo (como meio de evitar o uso dos W.C. durante os voo).

As companhias aéreas têm regulamentos sobre as condições de viagem dos passageiros com deficiência. Estes passageiros devem contactar antecipadamente a companhia aérea para orientação sobre as condições em que podem efectuar a viagem.

Transmissão de doenças infecciosas:

Os viajantes devem ser tranquilizados sobre o facto de o risco de transmissão de uma doençainfecciosa a bordo de um avião ser muito reduzido.

A qualidade do ar da cabina do avião é cuidadosamente controlada. A troca com o ar exterior e a filtração do ar em recirculação garantem uma troca total do ar de aproximadamente 20 a 30 vezes por hora. Este nível de ventilação é muito superior ao de qualquer edifício e assegura que a contaminação seja mínima. Os aviões modernos permitem a recirculação do ar na cabina até 50%, utilizando filtros altamente eficientes, (filtros HEPA: high-efficiency particulate air), que captam as partículas de material, bactérias, fungos e a maioria dos vírus. Consequentemente, o ar em recirculação na cabina é muito puro.

É pouco provável a transmissão de agentes infecciosos por via aérea entre passageiros, mas pode ocasionalmente ocorrer quando se encontram muito próximos da fonte de infecção. O vírus influenza (da gripe) pode ser transmitido entre passageiros sentados perto uns dos outros. A transmissão deste vírus é mais provável a bordo da aeronave quando esta permanece em terra por um longo período com os sistemas de ventilação desligados. Outra situação é a tuberculose. Em alguns casos raros, o bacilo da tuberculose foi transmitido a passageiros sentados na proximidade de um indivíduo com esta doença. A maioria das pessoas não desenvolve doença clínica após o contacto com o bacilo da tuberculose, e nos poucos casos transmitidos a bordo da aeronave, nenhum dos passageiros a desenvolveu.

Os indivíduos com doenças contagiosas não devem realizar viagens aéreas, seja por razões de saúde pessoal, seja pelo risco de infectarem outros indivíduos ou de transmitirem a doença de um país para outro.

Desinfestação do avião:

Muitos países exigem a desinfestação (tratamento para eliminação de insectos) dos aviões provenientes de países onde ocorrem doenças transmitidas por vectores (por ex. malária, febre amarela). Esta medida impede a introdução de infecções por insectos inadvertidamente transportados a bordo da aeronave. Estes insectos que se introduziram no interior da aeronave em zona endémica podem infectar os passageiros ou escapar para o exterior em zonas onde não existe a doença. É o caso de surtos de malária nas proximidades de aeroportos, em países onde esta doença não existe. Alguns, como a Austrália e a Nova Zelândia, procedem à desinfestação de rotina, com vista a impedir a introdução inadvertida de espécies que possam
prejudicar a agricultura.

A desinfestação é uma medida de saúde pública que consta dos Regulamentos de Saúde Internacional. Implica o tratamento do interior do avião através da aplicação de insecticidas. Os diferentes procedimentos utilizados actualmente são os seguintes:

− Pulverização o interior do avião com insecticidas à base de piretróides de acção rápida, com os passageiros a bordo, imediatamente antes da descolagem.

− Tratamentos do interior do avião em terra, antes de os passageiros subirem a bordo, usando um insecticida em aerossol com permetrina, e tratamento adicional do referido avião durante o voo, com um insecticida em spray de acção rápida, pouco antes da aterragem.

− Aplicação regular de insecticida residual em todas as superfícies internas do avião, excepto nas áreas de preparação de alimentos.

Os passageiros ficam, por vezes, preocupados com a sua exposição aos insecticidas em aerossol nas viagens aéreas. Existem alguns relatos de mal-estar após desinfestação do avião, mas não há evidência de relação causal entre a exposição aos piretróides ou compostos dos sprays e o desenvolvimento de sintomas, desde que os métodos e os produtos recomendados sejam utilizados correctamente na desinfestação.

Assistência médica a bordo:

A maioria das companhias aéreas com voos internacionais tem um plano de acção para gerir incidentes médicos a bordo e a tripulação recebe formação para esse efeito. Os aviões com um número elevado de passageiros têm habitualmente o seguinte equipamento de emergência:

− Um ou mais estojos de primeiros socorros, para serem utilizados pela tripulação.
− Um estojo médico, para ser utilizado por um médico ou outra pessoa qualificada para o tratamento de emergências médicas durante o voo.
− Um desfibrilhador externo automático, para ser utilizado pela tripulação em caso de emergências cardíacas.

Algumas companhias aéreas estão equipadas com instrumentos de diagnóstico médico que permitem, através de um sistema telefónico a bordo, a transmissão dos sinais clínicos para um especialista num centro em terra (telemedicina).

A tripulação do avião recebeu formação para utilizar os materiais de primeiros socorros e para efectuar as manobras de ressuscitação. Habitualmente, também têm formação para reconhecer um leque de causas de emergências médicas e intervir adequadamente para controlar a situação.

Restrições médicas das companhias aéreas:

As companhias aéreas exigem ao passageiro uma certificação clínica pelo departamento médico da companhia, se houver indicação de que um dos passageiros pode sofre de alguma doença, física ou mental, que possa afectar de forma adversa o bem-estar e o conforto dos outros passageiros e/ou membros da tripulação, seja considerada risco potencial à segurança do avião ou exija assistência médica ou equipamento especial durante o voo ou seja agravada pelo voo.

As companhias aéreas reservam-se o direito de recusar o transporte de passageiros com situações passíveis de exacerbação da sua patologia ou que possam causar consequências graves durante o voo.

Os passageiros frequentes que estão crónica e permanentemente incapacitados podem obter um cartão médico de passageiro frequente no departamento médico da companhia aérea. Este cartão é aceite, mediante condições específicas, como prova de aval médico e identificação da incapacidade do seu portador.

Se a tripulação suspeitar, antes da partida, que há um passageiro doente, o comandante da tripulação é informado e é decidido se o passageiro pode viajar, se necessita de assistência médica ou se representa um risco para os outros passageiros ou segurança do avião.

Contra-indicações das viagens aéreas:

As viagens aéreas estão contra-indicadas nos seguintes casos:


- Recém-nascidos com idade inferior a 7 dias;


- Mulheres grávidas nas últimas 4 semanas de gestação (8 semanas para a gravidez múltipla) e até 7 dias após o parto2;


- Indivíduos com as seguintes situações:

   - Angina de peito ou angor em repouso
   - Qualquer doença contagiosa aguda severa.
   - Sinusite, otite ou rinite infecciosa, particularmente se houver obstrução da trompa de Eustáquio.
   - Doença da descompressão após o mergulho3.
   - Aumento da pressão intracraniana, por hemorragia, traumatismo ou infecção ou se portador de Drepanocitose (anemia falciforme)
   - Enfarte agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral recentes (o período de tempo depende da gravidade e da duração da viagem).
   - Cirurgia ou traumatismo recentes, com eventual presença de ar ou gás, principalmente traumatismo abdominal e cirurgia gastrointestinal, lesões crânio-faciais e oculares, neurocirurgias encefálicas ou cirurgias oftalmológicas que impliquem penetração do globo ocular.
   - Doença respiratória crónica severa, dispneia em repouso ou pneumotórax não curado.
   - Hipertensão arterial não controlada com pressão sistólica superior a 200 mmHg (27 kPa).

Outra bibliografia aconselhadas:

Schroeder E, Taudorf U, eds. Air travel and transportation of patients: a guide for physicians, 2nd ed. Copenhagen, Danish Armed Forces Health Services, 1997.

McNeil EL. Airborne care of the ill and injured. New York, Springer Verlag, 1983.

Martin T, Rodenberg HD. Aeromedical transportation: a clinical guide. Aldershot, Avebury Aviation, Ashgate Publishing Ltd, 1996.
____________________________

2 Sujeita a aprovação médica, a viagem pode ser permitida após 24 horas em casos excepcionais, desde que a hemorragia tenha cessado e os níveis de hemoglobina sejam satisfatórios.
3 Os praticantes de mergulho de botija não devem voar demasiado cedo próximo do período de ocorrência do mergulho: nunca antes de 24 horas após vários dias de mergulho por tempo ilimitado ou 12 horas após um máximo de 2 horas de mergulho.

Colaboração: Cmte Jeferson Antonio Espindola - DAC 102197.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Resgate de paciente com Parada Cardio-Respiratória após intoxicação exógena.


A equipe Aeromédica da Base da Divisão de Operações Aéreas em Brasília/DF (DPRF-SAMU) realizou transporte de paciente grave em 11 /11/2009, conforme descrito abaixo:

I – Paciente 45 anos, tabagista e etilista crônico, com PCR após intoxicação exógeno excessiva.

II - Ocorrência: Resgate domiciliar de vítima com PCR através de combinação SBV e Suporte Aeromédico.

III - Avaliação Médica do paciente no local de origem: paciente em PCR sendo reanimado pela equipe de suporte básico, com ECG de 03, pupilas com midríase fixa, ausência de pulso central, e PA inaldível. Sem sinais de traumatismo evidente. Realização de manobras de RCP e BVM com oxigênio suplementar a 15L/min com saturação de 80%; hipocorado 3+/4+; cianótico 3+/4+; suporte hemodinâmico com Soro glicofisiológico 500 mL (em veia cefálica esquerda) devido a glicemia capilar de 60 mg/dL .

IV - Procedimento médico inicial: avaliação clínica geral, com IOT com tubo nº 8, e aspiração traqueal com saída de grande quantidade de secreção avermelhada espumosa. Instalação de outro acesso venoso calibroso em veia cefálica direita. Infusão de drogas vasoativas com resposta parcial; instalação das pás do monitor multiparamétrico; durante os procedimento de reanimação o paciente teve duas paradas , sendo revertidas com drogas e choques indicados (fibrilação ventricular); Realizado ainda manobras para correção do edema pulmonar, e da acidose mixta (sugerida em virtude do tempo decorrido até o momento – 50 minutos de reanimação). Instalação e fixação do paciente na prancha rígida (com estabilizadores de cabeça e colar cervical), tendo sempre a preocupação com a hipotermia.

V - Procedimento operacional: 1- posicionamento inicial do paciente em maca para remoção para o Box de emergência do Hospital mais próximo – Hopital Regional do Paranoá. Monitorização multiparamétricas com oximetria de pulso; passagem à unidade de Suporte Terrestre SAMU-PRF na frente da casa da vítima.

Como chovia muito no momento da remoção, e a via não era pavimentada, havia grande quantidade de lama no local. Além disso, o Hospital ficava próximo do domicílio da vítima. Portanto, optamos pelo transporte terrestre.

VI - Comportamento do paciente no transporte: paciente gravíssimo, mantendo parâmetros vitais com insignificante oscilação; recursos utilizados: monitorização multiparamétrica padrão X-treme pack ZOLL com pulso oxímetro (manteve saturação de 98%, com FiO2 de 100% com PEEP de 8); Estabilidade hemodinâmica relativa; resultando em transporte regular;

VII - Desembarque: sem intercorrências, conforme programação;

VIII - Finalização da ocorrência: dentro da regularidade;

IX - Aprendizado desta Ocorrência: 1 – Importância do tempo resposta. Importância do trabalho em equipe para o sucesso da operação.

Créditos:

Dr.Dávison Fernandes Júnior - CRM-DF 15.233
Enfermeira - Suzana Fujika Suzuki - COREN - 79306
Equipe DOA/DPRF: Operadores de Equipamentos Especiais e Piloto.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Transporte de paciente com Traumatismo Crânio Encefálico após queda da própria altura.






A equipe Aeromédica da Base da Divisão de Operações Aéreas em Brasília/DF (DPRF-SAMU) realizou transporte de paciente grave em 10/11/2009, conforme descrito abaixo:

I – Paciente 60 anos, hipertenso, vítima de queda da própria altura com contusão de face (região orbitária E) contra anteparo de cimento, e contusão de região occipito-parietal ipsilateral ao solo. Evoluiu com crises convulsivas, e rebaixamento do nível de consciência. Foi atendido no Hospital Regional de Sobradinho, onde foi sedado e entubado.

II - Ocorrência: remoção interhospitalar: do Hospital Regional de Sobradinho para a Unidade de Neurocirurgia do Hospital de Base do Distrito Federal;

III - Avaliação Médica do paciente no local de origem: paciente em decúbito dorsal, hemodinamicamente estável, com sinal do Guaxinin bilateral, havendo deformidade da órbita E, com aumento de volume e crepitação local, sugestivo de exoftalmia bilateral, sedado, com IOT com tubo nº 8, em ventilação mecânica com VC de 500 ml, com FIO2 de 100% e PEEP de 05 , saturando 98%. e FR: 16 irpm; hipocorado 1+/4+; suporte hemodinâmico com SRL 2000 mL (em veia basílica direita), e 80 mL de manitol, estando a PA=100x70 mmHg; ausculta pulmonar sem ruidos adventícios; Escala de Coma de Glasgow de 06, com pupilas fotorreagentes e isocóricas; pulsos periféricos e centrais evidentes (ritmo sinusal; FC: 84 bpm).

IV - Procedimento médico inicial: recebimento do paciente; avaliação clínica geral intrhaospitalar, reposicionamento do paciente mantido em decúbito dorsal em prancha rígida com estabilizadores de cabeça e colar cervical, instalação de ventilador portátil e monitorização multiparamétrica padrão (ECGC, PANI, SPO2); fixação dupla do paciente na prancha com cinto aranha e na maca do helicóptero com tirantes. Instalação de Sonda Vesical de demora para controle da hidratação. Instalação de acesso venoso calibroso na veia cefálica esquerda). Aspiração de sedativo com diluição apropriada, e salinização dos acessos venosos.

V - Procedimento operacional: 1- posicionamento inicial do paciente em maca para transferência do Box de emergência para o helicóptero; monitorização multiparamétricas com oximetria de pulso; passagem à unidade de Suporte Aéreo SAMU-PRF no heliponto do hospital com auxílio de maca com rodas.

VI - Comportamento do paciente em vôo: paciente grave, mantendo parâmetros vitais com insignificante oscilação; recursos aeromédicos em vôo: monitorização multiparamétrica padrão X-treme pack ZOLL com pulso oxímetro (manteve saturação de 98%, com FiO2 de 80% com PEEP de 3); Estabilidade hemodinâmica relativa; resultando em transporte regular;

VII - Desembarque: sem intercorrências, conforme programação;

VIII - Finalização da ocorrência: dentro da regularidade;

IX - Aprendizado desta Ocorrência: 1 – Importância do tempo resposta.

A regulação médica é de fundamental importância para a triagem adequada dos pacientes para não sobrecarregar os serviços especializados de referência.

Créditos: Dávison Fernandes Júnior - CRM-DF 15.233 / Marcos Melo

Equipe DOA/DPRF: Operadores de Equipamentos Especiais e Piloto.



sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ferimento por PAF na cabeça


Acionamento da aeronave H06 em 05/11/2009 para atendimento secundário na cidade-satélite de Santa Maria/DF. Paciente não-identificado, sexo masculino, aparentemente 25 anos. Vítima de ferimento por projetil de arma de fogo em região cefálica. Apresentando perda de consciência Glasgow menor que 8. Atendido inicialmente pela USB Santa Maria que providenciou acesso venoso, curativo estéril, oxigênio suplementar, e solicitou apoio de suporte avançado de vida. Como o local mais seguro para pouso, devido a proximidade do local da ocorrência era o Heliponto do Hospital Regional de Santa Maria, foi solicitado que a USB se deslocasse para lá, para ser interceptada pela aeronave.

Ao aproximar para o pouso, visualizada ambulância dando entrada no Setor de Emergência daquela unidade, onde os médicos plantonistas realizaram a intubação orotraqueal, sob sedação com 6mg de Midazolan, e o entregaram à equipe do aeromédico para remoção à Neurocirurgia do Hospital de Base.

Paciente devidamente estabilizado, foi conectado ao ventilador mecânico e monitorizado. Os parâmetros utilzados foram: Ventilação controlada a volume (TV 500mL, PEEP 8, FiO2 50%, FR 14irpm). Manteve os seguintes sinais vitais durante a remoção: PA 160x100mmHg, FC ~50bpm, Sat 99%.

Solicitado ao apoio do Hospital de Base do Distrito Federal que providenciasse maca com rodas e O2 na área de pouso, e maca com respirador no Box de Politraumatizados. Solicitado, ainda que se avisasse à Chefia de Equipe e Neurocirurgião de plantão sobre a chegada e gravidade do paciente.

Remoção aérea feita em cerca de 10 minutos, sem intercorrências.

Paciente entregue aos cuidados da equipe da neurocirurgia do HBDF, após cerca de 25 minutos de espera, com rotor da aeronave acionado.

Horários:

Acionamento: 17:00h

Decolagem: 17:07h

Chegada ao local: 17:13h

Saída do local: 17:25h

Chegada ao destino: 17:35h

Passagem do paciente: 18:00h

Liberação/Retorno: 18:08h

Pouso no Hangar: 18:12h

Tempo Total de Ocorrência : 1:12h

Considerações:

1) Trabalho conjugado entre USB Santa Maria, Médicos do PS do HRSM e Aeronave SAMU-PRF, possibilitaram o atendimento imediato, estabilização e transporte ao centro de trauma dentro da Golden Hour.

2) Tempo excessivo de espera pelo atendimento pela neurocirurgia no HBDF, tendo em vista a solicitação de aviso prévio e gravidade do paciente em questão.

3) O uso de câmera fotográfica possibilita não só o registro das imagens, bem como a possibilidade de resgatar todos os horários das fases do socorro posteriormente.

Creditos : Dr. Otávio de Melo Silva Junior - CRM 14625 / Ana Julia - COREN

Equipe de Piloto e Operador de Equipamentos Especiais DOA/DPRF.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Remoção interhospitalar - Unidade de Neurocirurgia do Hospital de Base do Distrito Federal



Acionamento em 31/10/09 da Equipe Aéromedica DPRF - SAMU/DF;

a- Paciente do sexo masculino, de 8 anos, internado no box da Clínica Médica-emergência Hospital Regional de Planaltina-DF, com quadro informado de “...ter sido vítima de acidente de trânsito...que produziu Traumatismo Facial de Crâneo-encefálico.....”

b- Ocorrência: remoção interhospitalar, sendo o destino a Unidade de Neurocirurgia do Hospital de Base do Distrito Federal

c- Avaliação Médica da paciente no local de origem: paciente em regular estado geral; hipocorado (1+/4+); consciente; orientado; escala de coma de Glasgow pontuando 15; pupilas isofotorreagentes; curativo com ataduras em couro cabeludo; colar cervical ajustado;l em respiração espontânea (FR=16irpm); ausculta pulmonar sem ruídos adventíceos; saturimetria em ar ambiente em 98%; hemodinâmico estável (PA=106 x 68mmHg), pulso regular porém com pausas, ritmo cardíaco regular (ECGC DII) com extrassístoles ventriculares isoladas, com morfologia de ventrículo esquerdo, e frequência cardíaca estável (100-108 bpm); venóclise em membro superior patente; escoriação nasal; ferimento contuso em lábio superior; sem outras lesões palpáveis em face;

d- Procedimento médico inicial: avaliação clínica intra-hospitalar, monitorização multiparamétrica padrão X-treme pack ZOLL (ECGC, PANI, SPO2); recebimento do paciente; posicionamento em prancha rígida, com estabilização crânio-facial com suporte laterais e tirante anterior; amarração completa do paciente à prancha;

e- Procedimento operacional: 1-posicionamento, inicial, do paciente em maca transfer do hospital; passagem à unidade de Suporte Aéreo SAMU-PRF no heliponto do hospital; 2 - recursos aeromédicos em vôo: monitorização multiparamétrica padrão X-treme pack ZOLL;

f- Comportamento do paciente em vôo: regular, sem instabilidades, exceto pequenas oscilações da Pressão Arterial, e predomínio do ritmo cardíaco regular (ECGC DII) com extrassístoles ventriculares isoladas, com morfologia de ventrículo esquerdo;

g- Desembarque: regular;

h- Finalização da ocorrência: dentro da regularidade

i- Aprendizado desta Ocorrência: 1 – é sabido que o Trauma Crâneo-encefálico pode cursar com várias formas de arritimias, sendo indispensável a monitorização destas; 2 – o transporte de pacientes (por quaisquer veículos) pode gerar inúmeras instabilizações ; 3 - a equipe aeromédica deve conter, como equipamentos de trabalho, materiais e recursos que possam ser utilizados em pacientes pediátricos;

Créditos: Glayson Verner – CRM-11806 / Enfermeira : Alessandra Sardinha - COREN 64205 -DF

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Traumatismo Craneoencefálico Grave.


Em 31/10/2009 a equipe Aeromédica da Divisão de Operações Aéreas em conjunto com a Equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionada às 18h para atender urgência medica descrita:

I - Paciente do sexo feminino, identidade Ignorada, aparentado ter 50 anos, admitida no Box da Emergência do Hospital Regional de Ceilândia- DF com quadro Politrauma (predominando Traumatismo Craneoencefálico grave) após resgate pré-hospitalar pela equipe Básica do SAMU.

II - Ocorrência: remoção interhospitalar, sendo o destino Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Base - DF

III - Avaliação médica da paciente no local de origem: paciente grave; intubada (TOT 7,5mm ID; 30 F), em ventilação mecânica manual (BVM 5l/minutos de 02); monitorizada com ECGC-Dixtal 2010 (derivações DI, DII, DIII); venóclise superficial cubital esquerda patente; sonda vesical de demora com débito; curativo com atadura de crepom em couro cabelo; colar cervical médio desproporcionado; blefarohematoma bilateral; discreto sangramento em cavidade oral; ECG=3 (com TOT); Ramsay=6; pupilas em mídriase parcial fotorreativas; em vigência (como informado) do terceiro episódio de Parada Cárdio-respiratória.

IV - Procedimento médico inicial: atendendo solicitação da equipe de médicos assistentes, procederam-se:

1- avaliação clínica intra-hospitalar da vítima com ênfase no exame primário (protocolo APH/ATLS):

A – adequado posicionamento na prancha rígida; troca do Colar Cervical por um de tamanho G, seguido de seu reposicionamento;

B – instalação da Ventilação Mecânica VCV - Aparelho Drager Oxylog 3000 (VC: 500; FiO2: 1,0; PEEP: 0mbar; FR: 20); instalação de Oximetria de Pulso;

C – instalado manguito de Pressão Arterial Não-Invasivo; visualização do monitor ECGC-Dixtal 2010 (derivações DI, DII, DIII) evidencia traçado com ritmo cardíaco sinusal com freqüência lenta (38-54 bmp); pesquisa dos pulsos femorias e carotídeos mostra-se negativa; constatado, então, Parada Cárdio-respiratória em Dissociacao Eletromecânica; enquadramento da paciente no protocolo de Ressuscitacao Cardiopulmonar ACLS;

D – vide A;

E – palpação do tórax-abdome não evidencia crepitação e ou áreas de enfisema; sem evidência de outros locais de fratura;

V - Procedimento operacional: tentativa de resgate da situação hemodinâmica objetivando a promoção do transporte; realizadas manobras de reanimação (algoritmo ACLS- PCR em Dissociação Mecânica) com administração de 1,0 mg de adrenalina, alternada com 1,0 mg de atropina a cada dois minutos, e revelações do pulso ao momento da administração das drogas; traçado eletrocardiográfico torna-se isoelétrico nas três derivações da monitorização; as 18h50 ambas as equipes optam pelo encerramento das manobras e atestam o óbito da vítima em função de possível Traumatismo Craneoencefálico

VI - Finalização da ocorrência: abortado o transporte do paciente;

VII - Aprendizado desta Ocorrência: 1 - este paciente representa um potencial paciente para abordagem aeromédica, seja em cenário de resgate, seja numa condição de transporte interhospitalar; 2 - trata-se de um paciente vítima de Politrauma grave a partir de Acidente de Trânsito com TCE seguido de Parada Cardiorrespiratória (PCR); 3 – a PCR pode se instalar ao momento da primeira abordagem da vítima ou durante o seu transporte; 4- Em ambas as situações, a equipe deve estar atenta para identificar a situação que a promoveu ou que a mantém, encontrando, no exame primário, muitas respostas; 5 – as intervenções médicas em pacientes críticos durante o vôo em asa rotativa se mostram, muitas vezes, restritas, sendo compulsória a otimização global destes indivíduos ante o desbravamento do ar.

Créditos: Glayson Verner - CRM-DF 11806 / Enfermeira: Alessandra Sardinha - COREN 64205 -DF.

Equipe de Piloto e Operador de Equipamentos Especiais - DOA/DPRF.