REQUISITOS
Tripulação
O transporte aeromédico requer uma tripulação experiente e altamente treinada para emergências médicas, bem como material e equipamentos especializados para lidar com qualquer emergência. Em ambas as modalidades do transporte aeromédico é imprescindível a presença de um médico, de um piloto e de um enfermeiro a bordo. Quando a remoção é feita sem equipamento avançado de vida, o enfermeiro pode ser substituído por um técnico de enfermagem. O médico tem a função de avaliar a situação do paciente e estabelecer os cuidados que lhe devem ser administrados tanto no local como na unidade de saúde. Por sua vez, o enfermeiro deve, não só actuar em conjunto com o médico, durante as intervenções de emergência, como também, caso seja necessário, administrar medicações, realizar curativos, imobilizações de fracturas ou prestar qualquer outro tipo de cuidado específico. Todos os cuidados prestados devem ser avaliados e registada a evolução do paciente, tarefa que também deve ser realizada pelo enfermeiro de bordo. Outro tipo de funções do enfermeiro de bordo é o manuseamento dos equipamentos e assegurar-se da sua manutenção, o controlo e reposição de medicamentos e proporcionar ao paciente conforto e apoio psicológico.
O ambiente de trabalho no transporte aeromédico é bastante limitado, o que impõe diversas condições aos pacientes e à tripulação que influenciam os cuidados prestados aos pacientes. Deste modo é importante que toda a tripulação esteja bem treinada, que conheça a fisologia de voo e altitude e as suas complicações.
As exigências mínimas para a escolha das tripulações são:
Agilidade física;
Capacidade para suportar a fadiga;
Competência técnica;
Boa condição física;
Curso básico de transporte aeromédico;
Curso básico de sobrevivência;
Curso de manobras de suporte avançado à vida;
Curso e exercício simulado de emergência anual;
Dedicação;
Entusiasmo;
Características antropométricas adequadas;
Experiência em boa comunicação;
Experiência profissional;
Facilidade para ensinar;
Flexibilidade;
Liderança;
Motivação;
Operacionalidade e sistematização;
Resposta satisfatória ao stress;
Tato e sensibilidade.
Equipamentos e materiais
É importante que os equipamentos e materiais cumpram certos requisitos, para que a sua função seja bem desempenhada e para que estes sejam duráveis, pois são equipamentos de elevado custo económico. Alguns desses requisitos são:
Estarem calibrados ou virem acompanhados de um protocolo de calibragem;
Não podem interferir nas ondas electromagnéticas dos equipamentos de navegação aérea;
Não pode interferir nos equipamentos de comunicação aérea;
Devem passar por inspecções (checks) diárias de rotina;
Devem passar por inspecções periódicas (manutenção preventiva) de engenheiros biomédicos;
Devem possuir documentação do registo de toda e qualquer manipulação feita nos equipamentos/materiais, quer seja em atendimento, limpeza/desinfecção, treino e/ou manutenção;
Devem possuir indicações para cuidados e manipulações adequadas, a fim de se manter o bom desempenho durante o voo;
Devem ser capazes de carregar baterias extras disponíveis para o equipamento que utiliza substituição de baterias;
Devem ser capazes de operar tanto com bateria como com alternador de corrente;
Devem ser confiáveis;
Devem ser duráveis o suficiente para suportar os elementos traumáticos do ambiente aeronáutico;
Devem ser de uma fácil reparação;
Devem ser facilmente desmontáveis para limpeza e desinfecção;
Devem ser facilmente montados e fixados;
Devem ser facilmente submetidos à manutenção;
Devem ser laváveis;
Devem ser leves, pequenos e com máxima autonomia;
Devem ter um bom desempenho em temperaturas extremas;
Devem ter um bom desempenho nas variações de altitude.
COORDENAÇÀO DE CABINE
A coordenação de cabine (crew coordination) tem por base um conjunto de princípios que devem ser seguidos, para que haja uma sintonia entre os elementos da tripulação. Estes princípios são também importantes, na medida que facilitam os procedimentos durante o transporte aeromédico, permitindo que este ocorra sem qualquer tipo de incidentes. A coordenação de cabina baseia-se em:
Procurar uma atualização continua, de forma a orientar a tripulação;
Colocar e retirar luvas, com técnica asséptica;
Conhecer e executar a limpeza e a desinfecção, conforme protocolos vigentes na empresa;
Fornecer informações básicas aos acompanhantes quanto à aeronave, saídas de emergência, distúrbios fisiológicos durante o voo, áreas de circulação e áreas restritas;
Distribuir de uma forma uniforme, toda a carga a bordo das aeronaves, alertando a tripulação para alterações em voo ou em solo, dependendo da patologia do paciente em cada voo;
Evitar manifestar-se em público sobre erros ocorridos a bordo;
Utilizar, com habilidade, a manipulação de material de emergência, incluindo extintores, transmissores de emergência (ELTS) e demais equipamentos disponíveis para essas situações;
Executar, com habilidade, equipamentos de comunicação e intercomunicação;
Executar embarques e desembarques de pacientes com os rotores ou motores em funcionamento;
Fixar e retirar os itens aeromédicos, conforme homologação autorizada;
Informar a gravidade da patologia do aerotransportado ou agravamento na evolução da situação durante o transporte aeromédico, para que os casos especiais sejam tratados com a devida atenção;
Informar todos os tripulantes sobre o uso de aparelhos e equipamentos a bordo, tais como cardioversores (no caso de paragem cardíaca), computadores, telemóveis, para evitar interferências no sistema de navegação aérea;
Manipular, com técnica asséptica, os materiais esterilizados;
Manipular os kits e os materiais aeromédicos, com técnica asséptica;
Manipular os itens do kits e materiais aeromédicos, efectuando uma montagem e desmontagem de todos os seus itens ;
Observar com rigor todos os protocolos de assistência aeromédica e protocolos da empresa;
Observar os procedimentos técnicos de cada profissão, para que não haja interferências indevidas a bordo; evitar principalmente comunicações desnecessárias com o piloto aeromédico durante aterragens, descolagens e subidas;
Respeitar, conscientemente, a função de cada elemento da tripulação, executando as suas funções com segurança, competência técnica, clareza, habilidade e qualidade;
Se houver necessidade de improvisar alguma técnica médica não prevista, esta deve ser feita sempre com consciência e consenso, pois esta implicará um envolvimento de toda a tripulação caso existam danos posteriores;
Realizar simulações periódicas de emergência médica a bordo e no solo;
Tratar os incidentes críticos em reuniões de briefing;
Treinar em conjunto, periodicamente, em ambiente hospitalar, previamente autorizado;
Treinar em conjunto, continuadamente, na empresa;
Treinar em conjunto, continuadamente, nos aeródromos para emergências aeroportuárias;
Usar a desmobilização somente em último caso, e, quando for preciso, deve ser feita com tato, segurança e técnica.
Créditos Transporte aeromédico 1, 2, e 3:
http://pt.wikipedia.org/
Colaboração: Cmte Jeferson Antonio Espindola - Anac 102197