Programa de bolsas da Anac deve formar 213 profissionais
André Custódio Alves, 28 anos, é aluno do quinto semestre do curso de aviação civil da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Seu sonho de criança, de um dia se tornar piloto comercial, está cada vez mais próximo de se realizar. Em dezembro de 2012, se for aprovado em todas as matérias, André terá, além do diploma de piloto, um emprego garantido. A confiança do jovem no seu futuro profissional se deve à atual carência de mão de obra nesse setor. Uma formação cara e demorada, que custará à sua família a soma de R$ 140 mil, somando o curso e as horas de voo exigidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Há uma década, a aviação brasileira vivia uma crise. O mercado era menor, companhias endividadas estavam falindo e, por consequência, os pilotos enfrentavam demissões coletivas, encontrando emprego no exterior - em países emergentes e onde a legislação permite tripulação estrangeira. Desde então há pilotos brasileiros voando na China, Coreia e Emirados Árabes, entre outros. O Sindicato Nacional dos Aeronautas estima que, hoje, existem 600 pilotos brasileiros voando no exterior.
A formação de piloto varia de acordo com a sua habilitação. Alunos que se preparam para voar numa companhia aérea têm a formação mais cara e o maior número de horas de voo exigidas. Um piloto de helicóptero, por exemplo, deverá desembolsar R$ 70 mil em dois anos, enquanto um piloto executivo, de jatos pequenos, pagará a metade pelo mesmo tempo de curso. A diferença é que o custo de manutenção de um helicóptero é muito mais alto.
Atualmente, o setor vive um ciclo virtuoso, com mais passageiros, novas empresas e linhas. No ano passado, os aeroportos administrados pela Infraero registraram movimento de 154,3 milhões de passageiros. Em 2007, eram 110 milhões de passageiros que circulavam nesses aeroportos.
"Hoje o sistema está no limite", diz Andre Castellini, sócio da consultoria Bain & Company.
Segundo Carlos Eduardo Pellegrino, diretor de operações de aeronaves da Anac, a agência criou em 2008 um projeto de bolsas de estudo no qual 75% dos custos de formação prática de um piloto ou mecânico são subsidiados.
No projeto de bolsas, em 2008 e 2009, por meio de um convênio com 11 aeroclubes do Estado do Rio Grande do Sul, as bolsas da Anac formaram 143 pilotos no prazo de um ano e meio. Boa parte deles já está empregada, segundo a agência, em aeroclubes e outras funções na aviação geral. Em 2010, a Anac lançou dois novos projetos de bolsas: o de pilotos prevê a formação, até meados de 2011, de 213 pilotos, sendo 73 pilotos comerciais e 139 pilotos privados, em oito Estados. Há previsão de lançar bolsas também para pilotos de helicópteros.
Para Fernando Lyra, piloto há 32 anos e presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), que engloba aviões e helicópteros, particulares ou operados por empresas de táxi aéreo, uma proposta mais eficiente para o setor inclui a modernização do currículo profissional, a padronização e o estabelecimento de parcerias com empresas que aproximem a teoria da prática do mercado.
Um exemplo disso está no curso de graduação em ciências aeronáuticas, da PUC do Rio Grande do Sul. Segundo Enio Dexheimer, comandante aposentado da Varig e professor e instrutor de simulador, os alunos estão saindo direto da formatura para as aeronaves. Uma recente parceria com a Azul Linhas Aéreas possibilita que os alunos recém formados ganhem prioridade na seleção. Em dezembro de 2010, 18 recém formados foram encaminhados à Azul.
O curso da PUC - fundado em 1994, em parceria com a Varig - tem duração de 3 anos e custo estimado entre R$ 110 e R$ 130 mil. Na época da crise da Vasp, Transbrasil e Varig mal conseguiam alcançar 30 novos alunos a cada ano. Desde 2007, são 60 novas inscrições no começo do ano, o que, segundo Dexheimer, faz pensar em abrir um vestibular de inverno com mais 30 vagas. Bons ventos.
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