A Justiça do Trabalho vai funcionar em regime de prontidão no final de semana para acompanhar e apreciar possíveis casos de rescisão de contrato dos operários que não quiserem mais trabalhar nas obras da usina hidrelétrica de Jirau, após os incidentes de terça e quinta-feira últimas.
Os desembargadores, juízes do trabalho e servidores manterão ainda visitas constantes aos locais onde estão alojados cerca de 6.000 trabalhadores em Porto Velho, capital de Rondônia.
De acordo com a presidente do Tribunal, desembargadora Vania Abensur todos os relatos feitos pelas autoridades policiais e por dirigentes das empresas construtoras são preocupantes, e por isso a Justiça do Trabalho vai atuar junto com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e Seccional de Rondônia da OAB no sentido de garantir os direitos dos trabalhadores e restabelecer a tranquilidade entre os operários.
Em reunião com dirigentes da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, a direção do TRT decidiu alternar as estratégias de atendimento, realizando no final de semana rodadas de conversações para conscientizar os trabalhadores e somente depois de nova avaliação realizar as tomadas de reclamações e as audiências de julgamento.
Um grupo coordenado pelos desembargadores Vulmar de Araújo Coêlho, Carlos Augusto Lôbo e Socorro Miranda, e composto ainda pelos juízes Shikou Sadahiro (convocado), Domingos Sávio, Rui Barbosa, Francisco Montenegro Neto, procuradores do Ministério Público do Trabalho e diretores de unidades do Tribunal, visitaram as instalações onde estão alojados os operários, como o ginásio do Sesi e os clubes Caipirão, Forasteiro e Nautillus, para acalmar e relembrar os trabalhadores quanto aos seus direitos trabalhistas.
Os magistrados falaram aos trabalhadores sobre a importância da manutenção da ordem como garantia do respeito aos direitos de cada operário e do compromisso firmado pelos representantes do consórcio construtor da usina de Jirau com a JT para assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho para não demitir e manter em dia o pagamento dos dias trabalhos e outros direitos dos empregados.
Como a maioria dos trabalhadores veio de outras regiões do país, o consórcio informou que fretou dois aviões e 80 ônibus para transportar os trabalhadores de volta aos seus Estados.
Com o apoio de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal a desembargadora Vania Abensur sobrevoou e em seguida visitou o canteiro de obras da hidrelétrica, onde manteve contato com integrantes da Força Nacional para fazer uma nova avaliação da situação para planejar outras atividades até que tudo volte à normalidade.
A previsão da construtora Camargo Corrêa é de reiniciar na segunda-feira (21) as obras da segunda etapa da usina, uma vez que a maioria das instalações e alojamentos da margem esquerda do rio Madeira não foram depredados, além do consórcio prevê a transferência de 3.000 operários do canteiro de obras da margem direita para o outro lado do rio.
Fonte: http://www.orondoniense.com.br/ 19/03/2001 - Capital
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