PARABENS AOS NOBRES COLEGAS!
SEGUE A ORDEM DO DIA , DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA.
PALAVRAS DO COMANDANTE-GERAL DE OPERAÇÕES AÉREAS
Brasília, 26 de junho de 2011.
Imaginemos, apenas por breves momentos, as terríveis condições de
tripulantes abatidos em ambientes hostis ou mesmo sobreviventes de um acidente
aéreo. Sozinhos e com frio, em meio ao ambiente de selva ou do alto mar, o
isolamento e a sensação de desamparo despertam a incerteza.
Em qualquer ser humano. Some-se ao cenário sombrio a fome, a sede e os
possíveis ferimentos causados pelo pouso forçado ou ejeção.
Na tentativa de recriar o passado, retornemos em nossos pensamentos às
10:25h do dia 26 de junho de 1967. O local: 80 milhas náuticas ao norte da
cidade de tefé, estado do amazonas, nas margens do rio japurá, em plena selva
amazônica. Ao longe, ouve-se o rugir dos motores de uma aeronave e,
subitamente, no semblante dos sobreviventes surge uma expressão de esperança e
apreensão. Passavam-se dez dias desde a queda da aeronave que realizava a rota
entre belém e cachimbo. Haveria alguma chance de salvação? O som característico
das hélices que se aproximavam do local.
Do sinistro fazia com que a esperança do resgate aumentasse a cada
segundo.
Ao contrário do que se pensa, a atmosfera no interior da cabine de uma
aeronave de busca não é de tédio ou de cansaço. Prevalece um estado de profunda
atenção ao cenário que se descortina nas janelas de observação. Cada detalhe,
por menor que seja, pode levar ao avistamento do objetivo. É uma missão
dífícil, que exige motivação constante nas longas jornadas de voo e precisão na
navegação para que nenhuma área deixe de ser sobrevoada. A tensão é sempre
grande, pois cada minuto que passa diminui as chances de sobrevivência daqueles
que estão em perigo.
Essa pluralidade de emoções transcorria a bordo da aeronave sa-16 6539
da força aérea brasileira naquela manhã de junho de 1967. No imponderável
momento em que parte da fuselagem era vista em meio às enormes árvores da
floresta, homens uniram-se na emoção única de vencer a morte e a dor.
O resgate não tardou a chegar. No dia seguinte, os rotores do sh-1d fab
8530 do esquadrão pelicano, em seu batismo operacional, já cortavam céleres o
espaço aéreo, trazendo os cuidados médicos tão urgentemente necessários. A
bordo, homens do para-sar, a tradução terrena de anjos salvadores que logo
desciam por cordas para cuidar dos cinco sobreviventes e retorná-los à
segurança de seus lares.
Trinta aeronaves de diversos tipos foram engajadas na cobertura da área
de buscas, tendo sido voadas mais de mil horas. Encerrava-se, assim, uma das
maiores operações sar realizadas pela força aérea brasileira: a saga da busca e
resgate ao c-47 fab 2068. Iniciava-se o culto ao profissionalismo e dedicação
daqueles que se lançaram ao salvamento e a fé e vontade de viver daqueles
bravos sobreviventes. Celebramos, assim, o dia da aviação de busca e resgate.
Passados 44 anos, a força aérea brasileira engajou-se em um sem número
de misões de busca e resgate. Algumas delas, que envolveram grandes aeronaves
da aviação comercial, contaram com grande divulgação pela mídia e foram
acompanhadas com apreensão por toda a população.
Brasileira. A grande maioria, porém, se desenrola longe do conhecimento
do público, sendo representadas pelas pequenas aeronaves acidentadas em locais
de difícil acesso e as embarcações leves deixadas à deriva em nosso extenso mar
territorial. Todas, no entanto, são alvos da mesma capacidade de
pronta-resposta dos integrantes do sistema sar brasileiro que reúne não só as
equipagens operacionais do comgar, mas também os valorosos integrantes dos
centros de coordenação do decea.
Nesse grande time encontramos militares das aviações de busca e
resgate, asas rotativas, patrulha e transporte, bem como elementos dos
salvaero.
Infelizmente, o brasil assistiu, nos últimos anos, vários acidentes
aéreos que ceifaram a vidas de centenas de pessoas. O luto e a tristeza tomaram
conta de diversos lares, mas a população pôde atestar a prontidão da fab no
atendimento rápido e eficiente para localização das vítimas, seja em plena
selva amazônica, seja no meio do oceano atlântico.
Em todas essas missões, os profissionais de busca e resgate confirmaram
com arrojo e audácia seu lema, “para que outros possam viver”, mas o fazem sem
esquecer a perícia, o bom senso e o profissionalismo, atributos forjados por
uma doutrina sólida, voltada intrinsecamente para a prontidão e para o
cumprimento da missão recebida.
A atividade de busca e resgate não se limita, porém, aos tempos de paz.
A necessidade de retornar tripulantes abatidos atrás das linhas amigas fez
alavancar o desenvolvimento da missão de c-sar ou resgate em combate,
consolidando-se como ferramenta imprescindível de manutenção do moral e da
capacidade operacional. Trata-se uma das atividades mais perigosas da guerra
aérea moderna, pois é preciso, navegando à baixíssima altura ou mesmo entre
obstáculos, localizar e resgatar o tripulante abatido em meio ao ambiente
hostil da defesa antiaérea inimiga.
Em combate, as tripulações sar precisam assumir riscos e calculá-los
com o mínimo de informações disponíveis. Trata-se de tirar conclusões suficientes
a partir de premissas insuficientes e fazê-lo sob a pressão do tempo, operando
em um local desconhecido, empregando de maneira coordenada os helicópteros de
resgate e de escolta, além das aeronaves de caça e de controle e alarme.
Ciente dessa necessidade, a fab deu início ao desenvolvimento de uma
doutrina nacional de c-sar que hoje já se equipara às das mais modernas forças
aéreas. O atual programa de reaparelhamento, que já conta com os modernos
helicópteros h-60l blackhawk, ah-2 sabre e h-36 caracal , além dos aviões
sc-105 amazonas sar, permite não só uma melhoria na prestação do serviço sar em
tempos de paz como também amplia a capacidade de resgate de nossa força aérea
nos mais letais teatros de operações.
Em 1967, ao chegar ao local do acidente do fab 2068, as equipes de
resgate foram recebidas pelos sobreviventes com a célebre frase: “eu sabia que
vocês viriam”.
Nos dias de hoje, as tripulações de busca e resgate ratificam diária e
anonimamente as palavras emocionadas daqueles homens: onde quer que haja uma
vida em perigo, a ajuda virá nas asas e rotores da força aérea brasileira. Essa
certeza é alicerçada por uma determinação calma, silenciosa e implacável de se
realizar a missão. A qualquer hora e em qualquer lugar!
A atividade sar nada tem a ver com sorte ou acaso. Tem a ver com
caráter e com fé. Tem a ver, em suma, com os valores humanos mais elevados que
existem: honra, lealdade e coragem. Significa, ainda que por breves momentos,
fazer a diferença na vida de um ser humano em perigo. A isso tudo, enfim, chamamos
altruísmo, a matéria-prima única e especial da qual são feitos os homens e
mulheres que trabalham no sistema sar brasileiro!
Para que outros possam viver!
Voar, combater e vencer!!!
Ten brig ar gilberto antonio saboya burnier
Comandante-geral de operações aéreas - FAB
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