UNIVERSIDADE POSITIVO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
TRANSPORTE AEROMÉDICO
ANTÔNIO AURÉLIO LINS LEAL
FÁBIO LAURINDO
A COMUNICAÇAO DA TRIPULAÇAO AEROMÉDICA EM MISSOES COM
HELICÓPTEROS: REVISAO DE LITERATURA
ORIENTADORA: GABRIELA SCHWEITZER
CURITIBA
2010
COMUNICAÇÃO NO TRANSPORTE AEROMÉDICO: GARANTIA DE UM TRABALHO SEGURO E
EFICIENTE.
Antônio Aurélio Lins Leal
RESUMO: O principal objetivo deste estudo é ampliar o conhecimento
sobre a comunicação no transporte aeromédico,
destacando formas de como garantir a segurança e a eficiência desta atividade
através da utilização de equipamentos confiáveis e que garantam a perfeita
integração das tripulações. Abordam-se desde as formas e métodos de comunicação
aeronáutica, tipos de equipamentos, fraseologias empregadas até novos
dispositivos nesta atividade. Por ser uma área bastante recente, e de pouca
produção científica, sugerem-se cada vez mais pesquisas voltadas para o
aprimoramento das comunicações durante os transportes aeromédicos.
PALAVRAS CHAVES: comunicação, resgate aéreo, medicina
aeroespacial.
1. INTRODUÇÃO
A atividade de transportar pessoas feridas ou enfermas
por via aérea data de 1870, durante a Guerra Franco Prussiana, onde foram
relatados os primeiros casos de transporte aeromédico, na qual 160 feridos
foram resgatados por balões de ar quente (GALLETTI Jr., 2010).
Na Primeira Guerra Mundial foram utilizados aviões
rudimentares, mas só em casos extremos. Somente em 1946 é que começava o uso do
helicóptero para a função de transportar os feridos da guerra e esses eram
conduzidos pelo lado de fora da aeronave acoplados às esquis da mesma (GALLETTI
Jr., 2010).
Neste tempo tão remoto não poderíamos esperar muito de
como era realizada a comunicação. De maneira muito simples, a comunicação era
realizada mais de formal visual, com a utilização de bandeiras. O piloto, por
sua vez, apenas conseguia os dados sobre o paciente e local de pouso, por
exemplo, somente no período que antecedia ao vôo (GALLETTI Jr., 2010).
A comunicação começou desde a pré-história em que os
primeiros seres humanos começaram se comunicar através de pinturas rupestres, de
gestos e tornou-se uma evolução que não pára e está em constante aprimoramento.
A comunicação pode ser entendida como o intercambio de informações entre
sujeitos, objetos e se desenvolve em diversos campos. Em todos os casos, o ser
humano passou a fazer uso de utensílios que passaram a auxiliar e a
potencializar o processo de produção, envio e recepção das mensagens. A
tecnologia passou a fazer parte da comunicação humana, assim como, passou a
participar da maioria das atividades desenvolvidas pela humanidade ao longo do
seu desenvolvimento, como no transporte aeromédico (LOMBARDI, 2010).
Com base nestas informações, o presente estudo tem
como objetivo ampliar o conhecimento através da apreciação de literatura
disponível acerca da comunicação no transporte aeromédico, destacando como
garantir a segurança e eficiência nessa atividade.
2. MÉTODOS DE COMUNICAÇÕES AERONÁUTICAS
Os componentes básicos da comunicação são: o emissor,
o receptor, a mensagem, o canal de propagação, o meio de comunicação, a
resposta (feedback) e o ambiente onde o processo comunicativo se
realiza. Com relação ao ambiente, o processo de comunicação sofre interferência
do ruído e a interpretação e compreensão da mensagem está subordinada ao
repertório. Quanto à forma, a comunicação pode ser comunicação verbal,
não-verbal e mediada (processo de comunicação em que está envolvido algum tipo
de aparato técnico, como rádio/celulares que intermedia os locutores) (QUEIROZ,
2008).
A comunicação aeronáutica é realizada principalmente
por telecomunicação. As telecomunicações dizem respeito às distintas
tecnologias de comunicação à distância (do prefixo grego tele – distante) como
a telegrafia, telefonia, radiodifusão, teledifusão e internet entre outras,
envolvendo transmissão de áudio (som), vídeo (imagens) e dados. Em
telecomunicação, o termo comunicação tem os seguintes significados:
1.
Transferência de informação, entre usuários ou
processos, de acordo com convenções estabelecidas entre uma ou várias pessoas
ou máquinas em que cada qual pode ser "emissor" e
"receptor" respectivamente, processo que geralmente pode "retroalimentar-se"
pela relação entre eles (ICA 102-6, 1999).
2.
A área da tecnologia à qual concerne a representação,
transferência, interpretação e processo de
dados entre pessoas,
lugares e máquinas (ICA 102-6, 1999).
Desta forma, a telecomunicação é entendida como toda
transmissão, emissão ou recepção de símbolos, sinais escritos, imagens, sons ou
informação de qualquer natureza, por fio, rádio, meios visuais ou outros
sistemas eletromagnéticos (ICA 102-6, 1999).
Nas transmissões aeronáuticas podem-se citar alguns tipos de radiocomunicação
como, por exemplo:
1.
Cotejo: procedimento pelo qual a estação receptora
repete uma mensagem recebida ou uma parte apropriada da mesma à estação
transmissora, com o fim de obter confirmação de que a recepção foi correta;
2.
Comunicação aeroterrestre: Comunicação em ambos os
sentidos entre aeronaves e as estações ou pontos situados na superfície da
Terra;
3.
Comunicação de ar para terra: Comunicação num só
sentido, das aeronaves às estações ou pontos situados na superfície da Terra;
4.
Comunicação de terra para ar: Comunicação num só
sentido, das estações ou pontos situados na superfície da Terra para as
aeronaves;
5.
Comunicação interpiloto ou ar-ar: Comunicação em ambos
os sentidos por um canal ar-ar designado para que, em vôos sobre áreas remotas
e oceânicas, as aeronaves que estão fora de alcance de estações terrestres Very
High Frequency (VHF) possam intercambiar informações operacionais
necessárias e para facilitar a resolução de dificuldades operacionais (ICA
102-6 JAN 99).
Esses tipos citados são
meios muito usados na atualidade nos principais tipos de aeronaves utilizadas
no transporte de enfermos no Brasil e no mundo.
3. DESCRIÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE
RADIOCOMUNICAÇÃO
Para estabelecer
comunicação entre as aeronaves e controle de tráfego aéreo e demais aeronaves é
necessário a utilização de equipamentos de rádio aeronáuticos a bordo das
aeronaves, que são:
Estação de Aeronave: Estação móvel do serviço móvel aeronáutico localizada
a bordo de uma aeronave que não seja estação de embarcação ou dispositivo de
salvamento (ICA 102-6, 1999).
Radio transceptor
aeronáutico: Equipamento rádio homologado para a operação aeronáutica, capaz de
efetuar transmissão e recepção na faixa de freqüência da aviação (118,00 MHz a
136,00 MHz), possibilitando a comunicação entre a aeronave, os órgãos de
controle de tráfego aéreo e demais aeronaves.
Para mostrar a real
importância da comunicação aeronáutica, a Instrução do Comando da Aeronáutica
100-12 de 2006, refere no item 11.7.5, que é vedada a operação de aeronaves sem
equipamento rádio ou com este inoperante em aeródromos providos de AFIS
(Serviço de Informação de vôo de Aeródromo), exceto nos casos seguintes,
mediante prévia coordenação, e em horários que não causem prejuízo ao tráfego
do aeródromo:
1. Vôo de
translado de aeronaves sem rádio;
2. Vôo de
aeronaves agrícolas sem rádio; e
3. Vôo de
planadores e de aeronaves sem rádio pertencentes a aeroclubes sediados nesses
aeródromos.
Desta
maneira, como as aeronaves aeromédicas não se enquadram nas categorias descritas
acima, reforça-se a necessidade da comunicação constante.
4. EQUIPAMENTO DE RÁDIOS PARA COMUNICAÇÃO ENTRE AS AERONAVES E OS ÓRGÃOS
DE SEGURANÇA PÚBLICA
Para realização de missão de transporte aeromédico, a aeronave envolvida
nesta atividade deverá possuir equipamento de rádio que possibilite manter
contato com os diversos Órgãos de Segurança Pública e de Defesa Civil. Além de rádios,
a aeronave deve possuir fones que possibilitem o perfeito entendimento entre a
tripulação (em vôo) e também servem como equipamento de proteção individual,
devido ao ruído dos motores das aeronaves.
Estes equipamentos devem abranger uma gama de freqüência compatível com
os sistemas empregados pelas corporações envolvidas e devem possibilitar a
programação direta (manualmente, por qualquer integrante da tripulação) destas
freqüências, de forma rápida e fácil, dando condições de estabelecer
comunicação com sistemas “seguros”, que operem com SUB-TOM Analógico e Digital,
ou ainda, na forma Simplex ou Duplex e que sejam compatíveis com sistemas mais
modernos de comunicação, utilizados em Segurança Pública (Sistema Trunking ou
Tetrapol) (MORAZA et al, 2008).
Como exemplos, podemos citar os seguintes rádios aeronáuticos: NAT 138
NPX e o Wulfsberg RT5000, conforme as figuras abaixo.
Figura 1: Rádio Aeronáutico NAT 138 NPX:
Fonte:
www.cobham.com
Figura 2: Rádio Aeronáutico Wulfsberg RT5000:
Fonte:
www.cobham.com
Estes equipamentos possuem as seguintes vantagens: são equipamentos homologados
para uso aeronáutico e de fácil manuseio (NAT >RT5000); permitem a
programação de freqüências manualmente; possuem uma ampla gama de Freqüências
(RT5000>NAT); possuem muitos canais de memória (>100 canais de memória);
possuem SCAN de memória; possibilitam transmissões simultâneas em até cinco
canais (RT5000) e também consegue diferenciar canais como prioritários; permitem
operar com dois canais simultaneamente e realizar transmissões e recepções
claras e sem ruídos.
Como desvantagens
pode-se citar o seu custo elevado
para aquisição e manuais de operação em língua estrangeira, o que dificulta o
investimento por tal equipamento.
5. EQUIPAMENTO
DE RÁDIO HT PARA COMUNICAÇÃO ENTRE COMPONENTES DAS EQUIPES (TRIPULAÇÕES)
O rádio hand talk (HT) é um rádio
transceptor móvel, podendo ser utilizado por qualquer integrante de uma equipe,
garantindo a comunicação entre os componentes das tripulações, permitindo o
perfeito entendimento das informações, possibilitando o desenvolvimento da
atividade de forma segura e eficiente em toda a missão (MOTOROLA, 2010).
Existem vários equipamentos rádio HT
disponíveis no mercado. Os pré-programáveis constituem os utilizados em larga
escala. Possuem, em sua maioria, de cindo a dez canais disponíveis para a
programação de freqüências (MOTOROLA, 2010).
Para maior facilidade de utilização e possibilidade de comunicação com os
diversos Órgãos de Segurança Pública e de Defesa Civil, recomenda-se o uso de
um equipamento programável manualmente, capaz de abranger uma gama de
freqüências muito ampla, permitindo estabelecer os contatos necessários
diretamente. Como exemplo pode-se citar: HT Motorola, Icom, Vertex, Yaesu, etc.
Por isso é importante destacar que o rádio HT é largamente utilizado por
todos tripulantes de aeronaves de transporte aeromédico, devido sua facilidade
de manuseio, por não necessitar de um treinamento especial para o seu uso e
também pela rapidez e facilidade nas comunicações durante o transporte.
6. TELEFONES
CELULARES PARA A COMUNICAÇÃO DAS EQUIPES DE TRANSPORTE AEROMÉDICO (TRIPULAÇÕES)
Nos dias atuais, com a criação da telefonia móvel, fazemos uso destes
dispositivos nas diversas atividades do nosso dia-a-dia. No transporte aeromédico não é diferente, o
telefone celular ajuda, em muito, na tomada de informações, sendo primordial em
locais, onde, a comunicação rádio se torna difícil devido a distância ou
condições do relevo. Pode-se fazer uso deste dispositivo mesmo em vôo,
facilitando coordenações com as centrais de regulação e acelerando
procedimentos.
Para a perfeita utilização deste equipamento em vôo, faz-se necessária
utilização de “periféricos”, ou os chamados assessórios como os fones e cabos
de conexão, que garantam a qualidade da comunicação. Além da comunicação via
telefonia celular, os aparelhos mais modernos podem enviar e receber mensagens
de texto e podem ser reconhecidos por dispositivos através do Bluetooth.
Esse tipo de recurso é amplamente usado pela equipe aeromédica em
especial para a constante comunicação com a coordenação de vôo, também com os
hospitais a que irão se destinar os pacientes aeroremovidos, bem como para
troca de informações com os pilotos quando a equipe encontra-se fora dos
arredores da aeronave.
7. FONES DAS
AERONAVES PARA CONVERSAÇÃO INTERNA E EXTERNA
Ambientes aeronáuticos são locais de alta incidência de ruído. Para
minimizar os efeitos maléficos ao nosso organismo, utilizamos protetores
auriculares como forma de prevenção, como previsto na NR15,
na sua última atualização em 2008, na qual trata das atividades em ambiente
insalubres (BRASIL, 2008).
Voando em aviões ou helicópteros empenhados em missões de transporte aeromédico,
fazemos uso constante dos fones das aeronaves, que garantem, ao mesmo tempo, o
perfeito entendimento das conversações internas e externas, proporcionando
conforto ao usuário, além de funcionar como equipamento de proteção individual
(EPI), pois garantem a redução de até 25dB (DAVIDCLARK, 2010).
Existe uma grande variedade de fones, que podem ser utilizados nas
aeronaves (aviões e helicópteros). Para melhorar desempenho das atividades do
transporte aeromédico, sugere-se nas literaturas encontradas a utilização de um
equipamento que permita a perfeita recepção das transmissões, fazendo com que o
usuário entenda a mensagem com clareza e ao mesmo tempo transmita sua
comunicação sem interferências ou ruídos, provenientes dos ambientes aeronáuticos
ou de qualquer forte diversa (MORAZA et al, 2008).
O equipamento capaz de realizar a recepção, transmissão com clareza e sem
ruídos é o fone com microfone de garganta (laringofone). Este dispositivo está
disponível nos mais diversos modelos e de vários fabricantes, como exemplo:
David Clark, American Eagle, Peltor, Telx, Bose, etc (DAVIDCLARK, 2010).
8. O EMPREGO
DA COMUNICAÇÃO AERONÁUTICA
A comunicação nesse tipo de serviço pode ser feita internamente, entre os
componentes da tripulação, fazendo-se uso de fones da aeronave que possibilita
um entrosamento de toda a equipe ou externamente, possibilitando a comunicação
da tripulação com os demais órgãos ligados ao serviço de transporte aeromédico,
como Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Polícia Rodoviária
Federal, Polícia Militar, etc.
O emprego da comunicação aeronáutica de forma eficiente proporciona o entendimento
das informações ou necessidades importantes para o resgate e transporte de
enfermos. Estas informações podem ser: local da ocorrência, gravidade dos
ferimentos, número de vítimas, necessidades de recursos adicionais, hospital de
destino do paciente e quadro clínico do paciente. Como necessidades
destacam-se: auxílio de sinalização na área de pouso, veículos de apoio, local
de pouso, equipamentos de resgate e de suporte avançado de vida, tempo estimado
para pouso no hospital de destino e necessidade de apoio da equipe médica para
recebimento do paciente no heliponto do hospital (MORAZA et al, 2008).
Como descrito acima, as comunicações internas possibilitam uma melhor
organização do trabalho das tripulações das aeronaves. São muito importantes,
pois garantem a segurança, permitem apoio de navegação e asseguram o cuidado do
paciente (MORAZA et al, 2008).
Para que tenhamos maior clareza na transmissão de informações podemos
contar com as fraseologias empregadas na comunicação rádio. Estas se constituem
de procedimentos estabelecidos com o objetivo de assegurar a uniformidade das
comunicações radiotelefônicas, reduzirem ao mínimo o tempo de transmissão das
mensagens e proporcionar autorizações claras e concisas (ICA 100-12, 2006).
De acordo com as recomendações da Organização de Aviação Civil
Internacional (OACI), na definição das palavras e expressões da fraseologia foram
adotados os seguintes princípios:
1. Utilizam-se palavras e expressões que possam garantir
melhor compreensão nas transmissões radiotelefônicas;
2. Evitam-se palavras e expressões cujas pronúncias possam
causar interpretações diversas; e
3. Na fraseologia inglesa utilizam-se, preferencialmente,
palavras de origem no latin (ICA 100-12, 2006).
O padrão mais utilizado de comunicação radiotelefônica que temos
observado são o Alfabeto Fonético e o Código “Q” ambos de padrão internacional.
Quadro 1: Alfabeto Fonético (letras)
| A - Alfa |
F - Foxtrot |
K - Kilo |
P - Papa |
U - Uniform |
Z - Zulu |
| B - Bravo |
G - Golf |
L - Lima |
Q -Quebec |
V - Victor |
|
| C - Charlie |
H - Hotel
|
M - Mike |
R - Romeo |
W -Whisky |
|
| D - Delta |
I - Índia |
N -November |
S - Sierra |
X - X-ray |
|
| E - Echo |
J - Juliett |
O - Oscar |
T - Tango |
Y - Yankee |
|
Fonte: http://ivaobr.com.br/home/treino/downloads/fraseologia.pdf
Quadro 2: Alfabeto Fonético (algarismos)
| 0 = zero |
1 = uno |
2 = dois |
3 = três |
4 = quatro |
| 5 = cinco |
6 = seis |
7 = sete |
8 = oito |
9 = nove |
Quadro 3: Código “Q”
| QAP – na escuta |
QAR – desligar |
QRN – interferência |
QRA – nome operador |
QRL – estou ocupado |
| QRM – interferência humana |
QRQ – transmita devagar |
QRS – transmita rápido |
QRT – fora do ar |
QRU – tem algo pra mim |
| QRV – as suas ordens |
QRX – aguarde |
QRZ – fale quem chamou |
QSA – como esta recebendo |
QSL – entendido |
| QSM – esta ouvindo |
QSO – aviso/comunicado |
QSP – fazer ponte |
QTC – mensagem |
QTH – endereço |
| QTR – horário exato |
QTU – horário |
QTA – última forma |
QSV – viatura |
TKS - obrigado |
Por isso é importante esta padronização internacional utilizada nas
transmissões via radio, pois qualquer integrante da equipe pode fazer uso, sem
necessidade de curso especifico, bastando apenas conhecer o alfabeto fonético e
o código Q facilitando nas comunicações.
9. NOVOS
DISPOSITIVOS PERIFÉRICOS QUE OTIMIZAM A COMUNICAÇÃO NO TRANSPORTE AEROMÉDICO
Com o intuito de otimizar a comunicação da tripulação do transporte aeromédico,
tornando a atividade mais segura e eficiente, sugerimos a utilização de alguns
dispositivos periféricos que possibilitam a contínua conversação entre os
componentes das tripulações, em qualquer em vôo, permitindo entendimento
perfeito das mensagens a qualquer instante, dentro ou fora da aeronave, mesmo
em ambiente com ruído dos motores, tráfego intenso dos grandes centros ou para
a utilização do telefone celular nestes ambientes. Como dispositivos
periféricos, podemos citar:
1.
Laringofone: É um microfone de garganta, também
conhecido como
laryngophone. É um tipo de
microfone que capta o som diretamente através de sensores
em contato com a vibração das cordas vocais. Ele é capaz de transmitir a
fala em ambientes barulhentos, como em uma
moto ou em uma aeronave, onde outros tipos
de microfones não funcionam bem porque a transmissão seria abafada pelo ruído
de fundo. Este tipo de microfone é também capaz de captar sussurros e
funciona bem em um ambiente onde se tem que manter a calma durante a comunicação
com os outros à distância, como durante uma operação militar. Microfones
de garganta foram amplamente utilizados desde a
II Guerra Mundial, onde foram utilizados
em
aeronaves e tripulações de tanques alemães (PELTOR,
2010)
Novos designs de elemento único são disponíveis, que tornam o microfone
de garganta muito mais confortável de usar do que as unidades
anteriores. Além disso, esta geração de microfones de garganta fornece
melhores resultados para acomodar uma ampla variedade de dispositivos de
comunicação, tais como rádios portáteis digitais, analógicos, Tetra e telefones
celulares (PELTOR, 2010).
Laringofones também são muito úteis em ambientes barulhentos além de
indispensáveis quando é necessária proteção respiratória. O
microfone de garganta pode ser usado com segurança, pois fica posicionado fora
da vedação da máscara facial e como tal, não compromete a proteção respiratória
fornecidos pela máscara (PELTOR, 2010).
Figura 3: Laringofone
Fonte: www.peltor.com
2.
Radio Adapter (conexão para fone da aeronave e rádio HT):
Para fazer uso do HT em conjunto com o fone da aeronave, utilizamos uma
conexão, que possibilita a perfeita recepção e transmissão de mensagens,
possibilitando estabelecer comunicação confiável a todo instante, além de
proteger o usuário do ruído ao seu redor. É um equipamento de fácil manuseio e
baixo custo de aquisição (DAVID CLARK, 2010).
Figura 4: Radio Adapter
Fonte: www.davidclark.com
3.
Conexão para utilização do telefone celular com o fone
da aeronave: Para fazer uso do telefone celular no ambiente aeronáutico,
é necessária a utilização de uma conexão que permita a interface entre o fone
da aeronave e o aparelho celular propriamente dito. Esta conexão pode ser feita
através de um cabo de conexão com plug compatível ao modelo do celular,
ou através de bluetooth, se o aparelho celular possuir esta tecnologia
de comunicação (BLULINK, 2010).
Figura 5: Adaptador Fone-Telefone Celular
Fonte: www.pilotblulink.com
De qualquer forma, com a utilização de qualquer destes dispositivos, a
comunicação será clara e segura, sem a presença de ruídos, permitindo uma
perfeita compreensão das mensagens, tornando a missão de transporte aeromédico
mais eficiente.
10. CONCLUSÃO
O presente estudo mostra a
grande variedade das formas e métodos de comunicações existentes no meio
aeronáutico, de modo a possibilitar uma facilidade na transmissão das
informações, garantindo a segurança e a eficiência do transporte aeromédico.
Este artigo baseou-se em grande
parte na experiência profissional dos autores, visto que é uma área bastante
recente, e de pouca produção científica, o
que culmina com a necessidade de mais pesquisas voltadas para a melhoria das comunicações durante os transportes aeromédicos.
Apesar de todo o avanço tecnológico existente nos dias de hoje, ainda
temos um longo caminho a percorrer, tanto no acompanhamento das novidades
disponíveis, como no repasse das informações para as equipes de saúde. Estas,
compostas de médicos e enfermeiros, na grande maioria, não estão familiarizadas
com estes procedimentos de comunicação, o que requer que as instituições onde
trabalham invistam constantemente em treinamentos e capacitações, visando
sempre o aprimoramento desta atividade que está cada vez mais em expansão em
nosso país.
11. REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Defesa, Comando da Aeronáutica. Instrução
do Comando da Aeronáutica 102-6: Telecomunicações. Brasília:
Ministério da Defesa, 1999.
Ministério da Defesa, Comando da Aeronáutica. Instrução
do Comando da Aeronáutica 100-12: Regras do ar e serviços de tráfego aéreo.
Brasília: Ministério da Defesa, 2006.
Norma Reguladora 15 – NR 15: Atividades e
operações insalubres. Atualizada em Portaria SIT
n.º 43, de 11 de março de 2008.
BLULINK. Disponível em:
<http://www.pilotblulink.com>. Acessado em 26 de agosto de 2010.
COBHAM. Disponível em: <http://www.cobham.com>.
Acessado em 06 de setembro de 2010.
DAVID CLARK. Disponível em: <http://www.davidclark.com>.
Acessado em 03 de agosto de 2010.
GALLETTI Jr., C. A. As origens do resgate aeromédico e
como surgiu em São Paulo. Disponível em:
<http://www.pilotopolicial/?P=8477>. Acessado em 28 junho de 2010.
MORAZA, A.S. et al, Comunicaciones internas y
externas: interfonía, navegación y radio. In: MORAZA, A.S. AYUSO, D.F. Manual
de helitransporte sanitario. Barcelona: Elsevier; 2008.
MOTOROLA. Disponível em: <
http://www.radio-motorola.com.br/codigo_q.htm>. Acessado em 02 de agosto de
2010.
PELTOR. Disponível em: <http://www.peltor.com>.
Acessado em 06 de setembro de 2010.